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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cerveja, porque mudar?

Estava a procurar um assunto para minha próxima postagem e numa conversa com minha namorada ela sugeriu que escrevesse algo sobre como iniciar alguém que está muito acostumado a beber as “pilseners” comerciais e acha que cerveja é somente isso. Gostei muito da idéia e cá estou, vamos falar de “iniciação, conhecimento e evolução”, não gosto do termo que as pessoas vulgarmente utilizam para esta ação, por isso não o utilizarei aqui.

O caminho para a consciência cervejeira não é longo, mas sofre de uma resistência congênita, pois o brasileiro nasceu, cresceu e vive sob a descarga massiva do marketing cervejeiro que prega que cerveja boa é cerveja muito gelada, exatamente para que você não sinta qualquer gosto. Aliás, se nunca ouviu alguém em uma roda de bar reclamando que a cerveja está quente e é impossível bebê-la assim, atire a primeira tampa; saiba que na verdade o que aconteceu com essa pessoa foi simplesmente o fato de que ela começou a sentir o verdadeiro gosto daquela cerveja.

Chega de “Blá”, vamos aos fatos, como nossas mentes e sentidos estão adormecidos devido à hipnose do marketing de massa, tendemos a evitar mudanças radicais, por isso o caminho mais fácil é iniciar por pequenas alterações naquele padrão nacional. A sugestão é iniciar pelas cervejas claras e ir aos poucos mudando esse aspecto e, juntamente às alterações cromáticas irmos adaptando nosso(a) aprendiz aos sabores e amargores cada vez mais intensos. Há quem sugira um tratamento de choque, mas prefiro o caminho suave, sugiro seguirmos cinco passos consecutivos para atingir o estágio de consciência, assim começaremos a iniciação.

Primeiros passos

Consideraremos somente três características para servir de base às transições, são elas:

a. Cor;
b. Teor alcoólico; e
c. Amargor.

Como disse, sugiro iniciar pelas cervejas que não alterem demasiadamente as características padronizadas para o consumidor brasileiro médio de cerveja, quais sejam: cerveja clara “amarela”, com 4,5% de teor alcoólico e amargor leve (em torno de 18-20 IBUs), ou seja, a tradicional “desce redondo”.

1° Passo

Básico, começaremos por uma witbier, manteremos praticamente todos os parâmetros e adicionaremos mais duas características novas que não assustarão ninguém, teremos uma cerveja levemente turva devido a presença de maltes de trigo, ou fermentação secundária, ou ainda pela ausência de filtragem, ao invés da tradicional transparência e um adocicado leve, maltado que não se encontra nas pilseners “super-hiper filtradas”.

A sugestão de cerveja para esse primeiro passo é a Hoegarden, facilmente encontrada em bares do Brasil. Segue breve descrição e sugestões de degustação:

Origem: Bélgica
Estilo: Witbier (ou blanche ou White)
Características: refrescante, turbidez leve, teor alcoólico de 4,9%, levíssimo aroma de banana.
Ingredientes diferenciados: raspas de casca de laranja e coentro.

As Witbiers harmonizam bem com saladas leves, peixes, frutos do mar e queijos de consistência media como Brie, Camembert, Queijo da Serra entre outros.

Outra cerveja do mesmo estilo para sua apreciação: La Trappe Witte Trappist


Iniciados, mas ainda no primeiro passo, passaremos então por outras cervejas de trigo:

Hefeweiss (sugiro Oettinger, Franzinkaner e Weihenstephaner)
Weisbier (Erdiger e Franziskaner),

Urweiss, (Erdinger) até chegarmos às brasileiras, que são ótimas, como a Weiss da BadenBaden e a Weizenbier da Eisenbahn.

Feito isso já passamos para uma coloração amarelo-ouro e para teores alcoólicos de 5,5%, além de aumentar um pouco o amargor, beirando os 25-30 IBUs, o que já é muito bom para um primeiro passo.

As cervejas de trigo agradam bastante aos iniciantes e também são uma ótima opção para as mulheres que não gostam (ainda) ou não tem muito o hábito de beber cerveja, além disso, fica a dica, é sabido que os homens preferem as mulheres que os acompanham em uma cervejinha.

Para os que pretendem acelerar o passo, dêem continuidade na seqüência das cervejas de trigo alterando para teores alcoólicos maiores e cervejas um pouco mais escuras e fortes, sugiro nesta ordem: Schneeweise, Octoberfest, Pikantus - Erdinger, DunkelWeise – Franziskaner, Weihenstephaner Vitus, Schneider Aventinus Weizen-Eisbock e por ultimo, fechando com classe: Weizenbock – Eisenbahn.


A idéia aqui não é apresentar as melhores cervejas, pois há muitas outras para apreciarmos, porém, as que selecionei para auxiliar os interessados em iniciar essa mudança de hábito são cervejas fáceis de se encontrar no Brasil e com um custo bastante razoável.
Na próxima postagem falaremos do segundo passo.

Prosit!!!

3 comentários:

  1. Gostaria de postar minha sugestão. Entre as Weisbier já conhecidas e citadas, o ideal seria degustar como primeiro passo a Erdinger Urweisse. Visto que a Erdinger tradicional não possui as mesmas características que as outras...

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  2. Olá Vera, como vai?
    Obrigado pelo comentário e pela sugestão.
    A Erdinger Weisbier foi sugerida pelo estilo, daí a razão da Urweisse estar colocada na sequência. Mas podemos inverter sem prejuízo do objetivo.
    Para continuarmos nas características tradicionais (fenólicos e ésteres) a Urweisse foi colocada com a Weiss da Baden Baden e a Weizenbeer da Eisenbahn. Aproveito para sugerir também que adicione na lista a Edelweiss, agora facilmente encontrada no Brasil.
    Continue prestigiando e divulgando nosso Blog.
    Prosit!!!
    Breda

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  3. gostei muito desta materia que resolvi postar no meu blog passa la para ver como ficou...coloquei os creditos...
    prosit!!!!

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