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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Novíssimos Rótulos B&R Beer

Me recordo de algumas perguntas dos nossos amigos e leitores sobre rótulos, como criá-los, onde produzi-los, como colocá-los nas garrafas, quanto custa, que tipo é melhor entre outras. Não responderei a essas perguntas neste momento, mas caso alguém precise de respostas para as mesmas não se avexe em me enviar um e-mail, terei muito prazer em auxiliá-los.

A intenção hoje é divulgar em primeira mão os rótulos desenvolvidos para nossas cervejas e que serão utilizados já neste natal nos Kits de Presente B&R Beer.

Como tudo em nossa produção, nossos rótulos foram desenvolvidos artesanalmente por nós mesmos, as idéias discutidas por mim e pelo Riva com a opinião de nossas famílias e amigos nos permitiram chegar ao resultado que passo a apresentar. Seguirei a ordem natural da criação dos rótulos o que não tem nenhuma relação com preferências pelas cervejas ou pelos próprios.

Abaixo de cada rótulo adicionei a descrição que consta do contra-rótulo de cada estilo de forma a possibilitar uma leitura mais confortável já que as letras no contra-rótulo são bastante reduzidas. Claro, os textos também são originalmente criados por mim.

Lá vão eles, espero que apreciem a roupagem de nossas garrafas:

Nossa Stout é uma cerveja encorpada de paladar maltado e marcante, apresentando aromas complexos de café, petróleo e com suave nota de chocolate amargo. Harmoniza muito bem com carnes vermelhas, de caça e comidas de inverno. Experimente ousar degustando a Stout B&R junto com sobremesas à base de chocolate.


Nossa Red ale é uma cerveja cremosa com aromas sofisticados de lúpulo, nozes e madeiras nobres, possui um toque de damasco além de um amargor característico das melhores cervejas inglesas. Harmoniza muito bem com massas recheadas, aves, peixes e queijos. Experimente ousar degustando a Red ale B&R combinada com frutas silvestres.


Nossa Weiss é uma cerveja leve e refrescante possuindo aromas característicos de banana e mel com uma leve pitada de cravo. Harmoniza muito bem com saladas, peixe cru, carpaccios, foundues, racklete, queijos brie e camembert. Experimente ousar degustando a Weiss B&R junto com sobremesas quentes, petit gateau e flambados.

 
Nossa Cherry B&R é uma cerveja leve elaborada com cerejas "in natura" selecionadas e maceradas em um processo artesanal que antecede a fermentação. Produzida uma vez por ano em dezembro durante a estação da fruta foi inspirada nas famosas Kriek belgas, tem coloração avermelhada, espuma leve e alva. Harmonize esta deliciosa cerveja com scargots e batatas fritas ao estilo belga.


Nossa Gold Ale é uma cerveja equilibrada produzida utilizando fermentos belgas possuindo aromas maltados e coloração dourada. Harmoniza muito bem com petiscos, comidinhas de boteco e churrasco de cordeiro. Experimente ousar degustando a Gold Ale com frutos do mar ou caviar.


Nossa ESB é uma cerveja de paladar maltado e amargor acentuado e marcante, apresentando aromas complexos de lúpulo com notas de café torrado. Harmoniza muito bem com embutidos, carne de porco e conservas. Experimente ousar degustando a ESB junto com sobremesas quentes como crepes e churros recheados.

 
Nossa Strong Weiss é uma cerveja robusta, com personalidade, amargor suave e de alto teor alcoólico, porém equilibrada. Harmoniza muito bem com carnes especiais como cordeiro e avestruz. Experimente ousar degustando a Strong Weiss acompanhando queijos Brie, Roquefort e Royal Dutch.

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Como puderam perceber existe um padrão de comunicação visual em todos os rótulos. De forma simples conseguimos colocar muita informação sobre a bebida e ao mesmo tempo não poluir a mensagem obtendo, portanto rótulos limpos e informativos.
 
Por fim, tenho o prazer de apresentar a vocês nossa última criação e que por uma feliz coincidência pode vir a ser um dos primeiros rótulos oferecidos aos consumidores, com vocês nossa tripel, produzida com fermento Belga apropriado para cervejas trapistas, com lúpulos utilizados pelas mais famosas cervejas tripel do mercado e seguindo a tradição daquele país em se produzir cervejas com adição de candi sugar:


Qüintos® Tripel B&R é uma cerveja de aromas e sabores complexos com forte presença de frutas e leve toque de especiarias. Ligeiramente adocicada devido à adição de "candi rock sugar" e com um suave amargor advindo da combinação perfeita dos lúpulos "Styrian Goldings e Tettnang" que somados à marcante sensação trazida por seu alto teor alcoólico proporciona uma degustação única e equilibrada. Aprecie essa deliciosa cerveja em taças altas de bojo largo, preferencialmente de cristal. Harmonize com massas secas com molhos à base de queijo. 
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Aguardem! Até o final de dezembro postarei aqui nossa garrafa especial para esta cerveja mais que especial, tenho certeza de que vocês irão gostar. Será uma tiragem limitada de 30 unidades.

Aqui registro com orgulho nossas criações com a certeza de, em breve, estarmos juntos degustando algumas delas.

Aos amigos que já tiveram ou não o prazer de experimentar algumas de nossas criações, todas, sem exceção, com receitas originais, fica o lembrete para acessar nosso blog na primeira semana de novembro para conhecer nosso Kit de Natal e fazer suas encomendas, serão somente cinquenta unidades e 26 já tem endereço certo.

Espero que tenham gostado.

Fiquem com Deus.

Prosit!!!

Para proteger os direitos de autoria, imagem e maarca, todos os rótulos estão registrados em cartório e constam de processos no INPI desde outubro/2010.

domingo, 17 de outubro de 2010

Cervejas Extremas

Quem disse que os extremos são perigosos?

Enfim chegamos ao último estágio de conscientização. Como se diz, o último, mas não menos importante! Se você nos acompanhou e teve a oportunidade de degustar algumas cervejas sugeridas aqui ao longo desse árduo caminho, parabéns! Se conseguiu arrebanhar mais adeptos com você, parabéns em dobro!!

Esse conceito de cerveja extrema embora pareça ser bastante recente, foi utilizado e documentado em Boston no ano de 1994 para descrever a Triple Bock Sam Adams (17,5% ABV – álcool por volume), além disso, há informações de que home-brewers americanos perseguem essas características desde os anos 70, pois esse tipo de cerveja tem nos EUA sua maior popularidade.

As chamadas “Extreme Beer” começaram a tomar corpo mundialmente há pouco tempo, a menos de dois anos atrás a cerveja mais alcoólica do mundo tinha 27% ABV, mas os consumidores queriam mais. Como na sua grande maioria as cervejas possuem entre 4 e 6% ABV (logicamente há ainda várias com 8%, 9%, 10% +) sabemos que esse teor é determinado pelos limites da fermentação tradicional, contudo, utilizando-se de um método chamado de “Freeze Destilled” repetidas vezes podemos conferir à bebida aromas e sabores inimagináveis, além de teores alcoólicos surpreendentes que superam os 40% ABV. Lembrando aos mais afoitos que o método é muito antigo e utilizado nas cidras chamado também de "freeze distillation", "normal freezing" ou "progressive freezing", mas começou a ser utilizado na produção de cervejas recentemente.

Mas o que vem a ser esse processo de “destilação por congelamento”? O termo destilação é aplicado aqui de forma ilustrativa, já que sabemos que a destilação pressupõe o aquecimento da mistura de forma a evaporar e condensar o líquido concentrando seu teor alcoólico devido à separação deste do excesso de água e outros elementos presentes na mistura. Da mesma maneira, quando resfriamos uma mistura a um ponto de quase congelamento podemos separar boa parte da água, em forma de cristais de gelo, dos demais componentes, assim simularemos uma destilação, porém a frio, daí o nome.

Quanto mais se repete a operação, mais “água” se retira da mistura e, por conseguinte, mais a concentramos; Claro, aqui também existirá um limite, mas os entusiastas da cerveja já atingiram os 55% ABV (veja quadro mais à frente). Mais detalhes sobre “freeze destilation” acesse http://wiki.homedistiller.org/Freeze_distillation .

E como uma cerveja pode ser considerada extrema? Somente por ter altíssimos teores alcoólicos? A resposta é NÃO. De acordo com nossos amigos americanos, para que uma cerveja receba este estigma ela precisa se encaixar em pelo menos uma das características abaixo:

* Cervejas produzidas sem lúpulo (acreditem!!), mas com alta concentração de plantas como urze (estorga) ou lavanda (procure por heather flower – essas flores eram utilizadas na Escócia antes do advento do humulus lupulus pela facilidade de encontrá-las naquele país);

* Cervejas envelhecidas em barris de carvalho de Jack Daniels e que tenham teor alcoólico igual ou superior a 20%;

* Estilos tradicionais de Cerveja, mas com o dobro, triplo ou mais de lúpulos ou maltes;

* Cervejas que levam ingredientes como chocolate, manteiga de amendoim (mais americano impossível) ou café em grãos (olha aí, de repente você já fez uma extrema e não sabia) tudo em altas dosagens;

* Strong Porters produzidas com gengibre chinês cristalizado (acho que não precisa ser chinês, certo?);

* Ales elaboradas com ostras e algas (algas até passa, mas com ostras... prefiro as minhas na concha com limão e sal acompanhando uma boa Irish Red Ale B&R, é claro!);

* Cervejas de paladar marcante por terem sido fermentadas com cepas específicas de fermento que foram inoculadas propositalmente em conjunto com algum tipo de bactéria (contaminação intencional).

Retirei fragmentos de vários locais, mas indico a matéria http://www.gizmag.com/worlds-strongest-beers/15256/  como imperdível, apesar de extensa é muito interessante e abrangente. Deste site retirei a incrível imagem a seguir que me poupou desta vez da montagem de um display com cervejas a serem degustadas. Clique nela para ampliar e visualizar os detalhes. A lista abaixo é invejável e pretendo obter algumas delas (ou quem sabe todas) para degustar um dia desses. Destaque para a garrafa da Utopias que é de muito bom gosto, já a da BrewDog... por acaso estão situadas nos dois “extremos” da lista, seria uma reles coincidência?

 
Como podem ver não se trata somente de muito álcool ou muito lúpulo, mas de coisas que na maioria das vezes até tentamos evitar como uma contaminação, porém feitas de forma planejada e controlada. Provavelmente, outras características podem colocar sua cerveja dentro dessa categoria, elenquei aqui condições consideradas pelos americanos, mas temos as nossas também, por exemplo, porque não considerar como extrema uma cerveja com rapadura ou com aipim (conhecem?), talvez com cupuaçu, quem sabe com açaí e até, porque não, com carambola, mas o importante é a concentração desses adjuntos, lembrando somente que extremo é extremo e não meio.

Caros amigos e amiga considerem-se, portanto, iniciados e não parem por aqui, existe um mundo de sabores, aromas e sensações a sua espera, onde? Bem debaixo do seu nariz, ou ainda não perceberam que as cervejas caseiras artesanais não conhecem limites? Ousar é o verbo, criatividade é a palavra.

Nos vemos.

Prosit!!!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

...seguindo nosso caminho...

Falarei sobre as cervejas do tipo Porter, agora que começamos a curtir cervejas encorpadas e escuras estamos prontos para experimentá-las apreciando todas as suas características e qualidades.

São cervejas escuras fortes e encorpadas, uma matéria bem interessante sobre ela, sua história e curiosidades, pode ser vista na Wikipedia, por isso não me preocuparei em repetir o texto, colocarei somente alguns pontos que acho mais interessantes. 

"No passado as London Porters eram mais fortes, em 1770 há registros de que elas possuíam OG de 1.071 e 6,6% ABV, porém o aumento dos impostos sobre a cerveja durante a guerra "Napoleônica" fez com que a gravidade original caísse para 1.055 e foi mantida nesse patamar até o final do século 19. A popularidade do estilo levou as cervejarias a produzi-la com vários teores diferentes iniciando pela "Single Stout Porter" com aproximadamente 1.066, a "Double Stout Porter" (curiosidade: a Guinness foi originalmente batizada de "Extra Superior Porter" e somente teve seu nome alterado para "Extra Stout" em 1840) com 1.072, a "Triple Stout Porter" com 1.078 e a "Imperial Stout Porter" com 1.095 entre outras. Depois do século 19 a nomenclatura Porter foi gradativamente alterado, contudo as cervejarias Inglesas continuaram utilizando a palavra "Porter" como termo genérico para ambos os estilos Porters e Stouts.

Atualmente as cervejarias tem produzido variedades de Porters incluindo muitos adjuntos diferentes como abóbora, mel, baunilha, chocolate e bourbon, entretanto, as cervejarias especializadas em Porter mantém a tradição de envelhecer a cerveja em barris, sendo a utilização de barris de bourbon bastante comum."

O interessante dessas cervejas é sua personalidade, com pouco tempo você pode distinguir uma porter de uma stout facilmente sem ver a garrafa, somente pelo líquido em seu copo, o aroma e sabor característicos os levarão a gostar cada vez mais das cervejas encorpadas, de amargor acentuado e cada vez mais aromáticas, ou seja, lembram a frase que você ouviu milhões de vezes quando alguém experimentava uma cervejinha pilsener pela primeira vez? "Ah, não gostei, é amarga!", pois é, imaginem então se essa pessoa estivesse provando uma  "extra bitter", nem quero imaginar as possibilidades...

Vamos às recomendações e as fotos:
Se puderem experimentem todas, mas como algumas são muito difíceis de encontrar, comecem pela Fullers London Porter e pela Old Engine Oil, se conseguir não deixe de degustar a Meantime. A Hooker e a Waitrose são imperdíveis, mas não vai ser fácil conseguir uma por aqui.
Boa sorte aos confrades e, se alguém encontrar uma Hooker compre algumas garrafas a mais e me avise, fico com elas!!!
ΛΩ

Barley Wine
A próxima da lista e último estilo desse passo é a famosa Barley Wine. Inglesas de origem e com uma "explosão" característica de aromas, a primeira cerveja a levar esse nome data do ano de 1900, o nome advém do fato dela ser forte como um vinho, pois possui teor alcoólico entre 8,5 e 12% com OG variando de 1.090 a 1.120 e ser feita de cevada e não de uvas. O espectro de cores varia do âmbar ao cobre escuro, mas até os anos 50 todas as cervejas desse estilo eram escuras. Para apimentar a questão de estilos, segundo Martyn Cornell, historicamente as Barley Wines e as Old Ales não apresentam diferenças se comparadas. Não falarei aqui das Old Ales, mas procurem por elas na internet e degustem-nas são pontos de referência interessantes.

No quesito amargor as Barley Wine vão de 50 a 100 IBU e sua coloração pode oscilar de 24 a 48 EBC.

Temos duas ótimas Barley brasileiras que são a Baden Baden Red Ale e a Schmitt Barley Wine; Sugiro começar pela segunda que é mais suave, mas não deixem de provar a de Campos do Jordão, ambas são excelentes. Se encontrar a Schmitt Magnum não perca a oportunidade de experimentá-la.


Experimentem também as belgas Bush de Noël e Bush Ambrée, duas maravilhosas cervejas, valem muito a pena.


Para terminar essa deliciosa iniciação à cerveja falarei das "extreme beer" no próximo post.

Prosit!!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Amor ou ódio

Já ouviu falar em STOUT? Conhece alguma? Experimentou? Gostou? Não gostou? Algum comentário? Quem nunca ouviu falar na irlandesa Guinness? Irlandesa sim, embora muita gente não saiba, é uma das cervejas mais famosas do mundo, mas porque estou falando dela? Simples, dando sequência na doutrina do consumo consciente de cervejas chegamos ao 4° passo proposto por mim para atingirmos um nível de maturidade que permita aos leitores e apreciadores da boa cerveja avaliar adequadamente qual beber, quando, com quem e harmonizando com o que.

Façamos um breve retrospecto, pensei até em um pequeno gráfico de "gap", mas vamos no gogó mesmo, ou melhor, no "dedó":

* Estávamos na farra das "pilseners";
* Começamos experimentando as Cervejas de Trigo;
* Passamos pelas Pales, Reds, IPAs, ESBs e Browns;
* Tivemos o prazer incomparável de conhecer as Belgas e até DeuS...;
* Chegamos às Stouts, Porters e Barley Wines...

A Guinness tem uma história bem legal que pode ser vista no próprio site da cervejaria (Clique Aqui), destaque para o site que é muito bem feito.

Postei anteriormente um vídeo da nossa Foreign Extra Stout B&R e também os parâmetros internacionais do estilo; vocês podem refrescar a memória acessando a matéria Uma Irlandesa bem gostosa "made in Campinas", foi uma das nossas primeiras cervejas e agradou muito quem teve o prazer de experimentá-la.

STOUT
São cervejas escuras, secas e de amargor médio, teor alcoólico variando desde 3,2% nas Dry a 12% nas Russian Imperial, há registros de que no início (lá pelos idos de 1800) a verdadeira Guinness era bem diferente da que bebemos hoje, por exemplo, em 1896 a OG era registrada como sendo de 1070 e atualmente está em 1042 segundo o livro "Stout" (Classic Beer Style Series) de Michael J. Lewis. Há também nebulosas controvérsias sobre sua origem, se foram os ingleses que a inventaram ou se tentaram copiar dos irlandeses, se veio para competir com as Porters ou até a uma estranha suposição de que elas, as stouts, não foram sempre escuras...pois é..., mas acho que já desviamos bastante, quem tiver interesse, leia o livro, há muita coisa interessante nele e há algumas sinopses pela internet.

Há quem as odeie e muito...torcem o nariz e põe a língua pra fora..., mas quem gosta de Stouts realmente bebe a cerveja com uma pegada diferente, por isso ressalto que o leitor não deve sair pulando os passos e oferecendo uma Beamish pra namorada que até ontem só bebia skol, cuidado! Você pode estar acabando com a possibilidade de ter uma companheira de copo para curtir cervejas de peso. Seja cauteloso, vá gradativamente educando os(as) amigos(as) e colherá bons frutos.

Sugestões de cervejas e acompanhamentos também não faltam, mas gostaria de deixar aqui uma harmonização bastante interessante, convide os(as) amigos(as) que já estejam nesta fase do aprendizado para um churrasco diferente, asse na churrasqueira em fogo forte um pernil de javali, sirva com batatas carameladas na cerveja escura e degustem com uma Foreign Extra Stout (caseira de preferência, mas dentro do estilo) e depois sirvam uma sobremesa gelada à base de chocolate amargo acompanhado de uma Sweet Stout, espero que me digam como foi a experiência (posto receitas minhas para ajudar no evento, se desejarem).


Algumas indicações para degustação: Guinness, Beamish, Murphy's, Samuel Adams Cream Stout, Baden Baden Stout, Meantime London Stout e até a Caracu, porque não?



PORTER (to be continued)

Prosit!!!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ahh, as belgas...

...várias das melhores cervejas que já degustei vieram de lá. Tudo começara com uma despretensiosa festa de final de ano da empresa onde reuníamos grandes e velhos amigos para comemorar cada ano que se findava, bons tempos aqueles, onde o trabalho era salpicado de "happy hours" e conversas sobre amenidades. Mas foi lá, no Drake's Bar (aqui em São Paulo) que uma noite, enquanto eu e o Fabião "cabelo" esperávamos os atrasados presos no maravilhoso trânsito da capital, que resolvi arriscar e pedir uma cerveja diferente, garrafa de 750ml, rolhada, com um rótulo sóbrio e uma descrição apetitosa, naquele momento nem imaginava que estava prestes a conhecer uma de minhas paixões primeiras, uma La Trappe Tripel, servida em uma taça majestosa que nos faz pensar como deve ter sido viver em tempos medievais...puro devaneio... chegarei nessa obra de arte em breve, retomemos pois nossa estrada.


Para os mais perseverantes, PARABÉNS por terem chegado até aqui e espero que continuem a viagem, este passo os fará mais fortes e motivados a não desistir, pois estaremos agora experimentando sabores, aromas e conhecendo processos ímpares, pois as belgas assim o são, diferentes, especiais e deliciosas.

Relembro a postagem que fiz lá nos idos de 2009 no início do Blog (Começa o Beer Tour e O Paraíso), tive a oportunidade e o imenso prazer de estar na Bélgica onde me deliciei com o Beer Weekend Paradise e visitei cervejarias como a Cantillon, Delirium Café e A La Mort Subite; estive também na Holanda, neste visitei a Trapista Koningshoeven Abbey em Berkel-Enschot nos arredores de Eindhoven onde são produzidas as famosas cervejas La Trappe, alerto que a visita vale cada centavo (de euro é claro!).

Comecemos então pelos estilos Belgas:

Trapistas: Há somente sete mosteiros trapistas produzindo cerveja pelo mundo, como poderão verificar seis deles estão na Bélgica e um está, como citei, na Holanda. Teoricamente, considera-se Trapista somente as cervejas produzida no interior de algum mosteiro ou abadia trapista, ou seja, é um sacrilégio considerar que uma cerveja produzida em outro local seja chamada de trapista ou que siga um estilo trapista, há inclusive um movimento da União Belga dos Fabricantes de Cerveja e do Clube de Cerveja Belga no sentido de combater essa que, segundo eles, é uma utilização imprópria da nomenclatura e prejudica a boa reputação das cervejas belgas. (ver pequena matéria no site da Cervesia). Os estilos mais conhecidos são: Blond, Dubbel, Tripel, Quadrupel. A razão de possuírem tais nomes não é muito conhecida, porém há uma teoria que remete à utilização de marcas feitas pelos monges nos barris de cerveja de forma a diferenciá-los por sua quantidade de álcool, assim teríamos a  letra "X" como marca, ou seja, X seria a mais fraca, XX seria a média e XXX a mais forte, além disso, segundo o pesquisador Michael Jackson - não, não é o cantor (http://www.beerhunter.com/) as marcas seriam respectivamente correspondentes a 3, 6 e 9% ABV. Para ser quadrupel a cerveja deve ter mais de 10% ABV.
Sugiro, pela ordem, as La Trappe blond, dubbel, tripel e quadrupel. Tem a Monasterium da Falke também.


Lambics: São cervejas muito diferenciadas produzidas na Bélgica (Bruxelas e no sudeste do país) e possuem fermentação espontânea, ou seja, não se adiciona a levedura no processo, os tanques são abertos e leveduras selvagens existentes no ambiente da cervejaria se encarregam de trabalhar. Há vasta literatura sobre o assunto, por isso vamos aos tipos de Lambic: Lambic Pura, Gueuze (um blend de duas lambics - uma jovem e uma envelhecida), Mars (com 2% de álcool não é mais produzida), Faro (mistura de uma lambic com uma cerveja mais fraca e adicionada de caramelo), Kriek (lambic refermentada com cerejas), Fruit lambics (com extrato de framboesa, pêssego, cassis, morangos e modernamente com banana, coco, abacaxi, limão e outras frutas silvestres).   
Gosto muito da Mystic, da Kriek Boon e da Kriek Maxx. Como experiência sugiro degustar uma geuze mas com cuidado para não assustar, pois é um estilo muito peculiar, diria até que um pouco difícil de beber, mas vale o conhecimento, as cantillon são muito famosas em Bruxelas mas não são encontradas com facilidade no Brasil.

Abbey Beer: O termo é aplicado às strong ales produzidas de uma forma similar às trapistas, porém que não foram produzidas dentro de um dos sete mosteiros trapistas do mundo (Orval, Chimay, Rochefort, Westvleteren, Westmalle, Achel e La Trappe) exemplos desse estilo são a Leffe e a Duvel provenientes de mosteiros beneditinos.
Podemos experimentar com facilidade as Leffe (Blond, Brunette, Radieuse e se tiverem a sorte de encontrar, degustem a Vieille Cuvée - com 8,4% ABV - maravilhosa)



Golden Ale: Cervejas frutadas e muito aromáticas foram criadas segundo consta para competir com as Pilsener lagers, porém utilizando maltes diferenciados e um mix de lúpulos tchecos, eslovenos e alemães. Podem ter teor alcoólico variando dos 4,5% aos 8,5% e são de alta fermentação.
Que tal uma nacional? Experimentem a Golden da Baden Baden e a Strong Golden Ale da Eisenbahn (show!).


Deus: ahh, a caríssima Deus Les Brut de Flanders, infelizmente cara no Brasil (em média R$ 180,00 a garrafa), pois na Europa você a encontra por € 12,00. Segue o processo de fermentação secundária como os champagnes franceses, a cerveja depois de engarrafada recebe uma nova dose de fermento e de açúcar e refermenta ficando de ponta-cabeça e sendo girada de 1/8 de volta duas vezes ao dia por 20 dias em caves subterrâneas, depois tem o resíduo da fermentação que se acumulou no gargalo retirado a uma temperatura muito baixa para não vazar além da conta e finalmente recebe sua rolha, bom, essa é a lenda. Vale a pena experimentar, mas 99% das pessoas dizem: "Mas nem parece cerveja!" ... admito, não mesmo... mas é ótima. Há a brasileira Lust também, mais acessível, provem.

Esses são os principais estilos belgas e tenho a certeza de que vocês terão uma grande e bem variada lista para degustar até a próxima postagem.

Aqui coloco um link bem interessante onde estão catalogadas todas as cervejarias belgas e suas cervejas além de uma lista de Pubs, Beer Shops entre outras coisas. Acesse BBB - Belgian Breweries and their Beers.

Prosit!!!

sábado, 11 de setembro de 2010

Rumo à conscientização

2º passo

Teoricamente, você já deixou de ser escravo da pilsen e começou a desbravar novos territórios, nunca dantes percorridos e provavelmente não quer mais parar, essa é a idéia!

Minha sugestão agora é enveredarmos pela famosa escola Inglesa, onde imperam as cervejas avermelhadas e lupuladas (Ambers & Reds) e concluirmos com as mais escuras (Browns).

Começaremos pelas Pale Ales, pale significa "pálido", por isso esse estilo de cerveja traz uma coloração âmbar e um amargor leve (25-35 IBUs nas English Pale Ale e 30-45 IBUs nas American Pale Ale, segundo o BJCP), depois passaremos pelas Ales e Red Ales, basta irmos desbravando a palavra de ordem aqui é "experimentar".

Pela facilidade de se encontrar, sugiro começar pelas nacionais:


Depois você poderá ir aos poucos provando as importadas, já que há muitas por aí, colocarei alguns nomes e poucas fotos para o Blog não virar uma galeria:

Fuller's, Greene King IPA, Oakham Jeffrey Hudson Bitter (JHB), Brains Bitter, Tetley’s Original Bitter, Brakspear Bitter, Boddington's Pub Draught, Sierra Nevada Pale Ale, Stone Pale Ale, Great Lakes Burning River Pale Ale, Bear Republic XP Pale Ale, Anderson Valley Poleeko Gold Pale Ale, Deschutes Mirror Pond, Full Sail Pale Ale, Three Floyds X-Tra Pale Ale, Firestone Pale Ale, Left Hand Brewing Jackman’s Pale Ale.
*as cervejas não estão em nenhuma ordem, seja alfabética, de qualidade, preço, origem etc.. 


Como viram, há um sem número de Pale Ales, Red Ales, IPAs (India Pale Ales - não vou aqui contar a milhões de vezes repetida história de porque se chamam IPA, basta entrar na Wikipedia, assim fugimos do lugar comum) para provar e nem me arrisco "rankeá-las", pois cerveja é algo muito pessoal, o que posso dizer é que são muito boas e sugerir que analisem, ou seja, leiam os rótulos antes de comprar qualquer uma procurando especificidades como o amargor (IBU) e o teor alcoólico, pois essa transição precisa ser gradual, principalmente se você estiver carregando alguém com você ...geralmente a namorada ou esposa... caso contrário poderá assustar a candidata e perder a oportunidade de abrir esse vasto mundo de aromas, cores e sabores para sua acompanhante favorita.

Nesta fase fecharemos com as Brown Ales, da quais minha preferida é a New Castle Brown, mas há outras como a Samuel Smith Nut Brown Ale, Adnams’ Nut Brown Ale, Brain’s Dark, Banks’s Mild, Highgate Mild, Fuller’s Hock, McMullin AK, Robinson’s Best Mild, Theakston Traditional, Tetley Mild, Grant’s Celtic Ale, Mann’s Brown Ale, Oregon Nut Brown Ale e muitas outras.


Bom, espero que essa segunda etapa seja proveitosa tanto quanto a primeira ou até mais, já que muitos dos nossos amigos comentaram e enviaram e-mails por terem gostado bastante da postagem (um deles até republicou a matéria na íntegra em seu Blog - certo Ricardo?) sobre uma forma gradativa e bem simples de ir, aos poucos, criando um bom hábito nas pessoas que gostamos de ter ao nosso redor, mas sem impor ou forçar comportamentos ou um gosto "empacotado", pois a grande variedade de cervejas no mercado e a possibilidade de fazer a bebida em casa com as características que desejarmos nos dá essa flexibilidade e facilita a introdução ao mundo das cervejas especiais.

Aproveito para parafrasear o grande Hunter S. Thompson - "Good People Drink Good Beer" ***


No terceiro estágio falarei um pouco das belgas que são, sem sombra de dúvida, um mundo à parte em se tratando de cervejas!

Prosit!!!

***Frase presente nos rótulos da Flying Dog Brewery - que estarão no passo 5

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mais de 1000

Caros amigos cervejeiros e apreciadores da boa cerveja, é com muito orgulho que publico hoje esta postagem comemorativa, não,não, não se apressem em imaginar que já experimentei e degustei mais de mil rótulos diferentes (embora acredite que estou bem perto), mas o feito na verdade é muito maior, como disse acima:

"Ontem, 23/08/2010, o Riva colocou nossa Irish Red Ale para resfriar e com os 90 litros dessa leva alcançamos a importante marca dos 1.012 litros de cerveja artesanal sem matar nenhuma leva desde a primeira até esta memorável data!"

Realmente pode não parecer, mas considerando que iniciamos em outubro/2009, ou seja, aproximadamente 11 meses, botamos pra quebrar, pois já podemos tirar levas de até 120 litros sem dobrar a brassagem e em breve poderemos e iremos tirar uma única leva de 200 litros (em brassagem dobrada) assim que nossa câmara fria ficar pronta, quem sabe em janeiro/2011 possamos realizar esse segundo feito.

Prezamos por repetir alguns tipos específicos de cerveja para verificar a padronização e tivemos ótimos resultados com as receitas, todas elas próprias, sem utilizar nenhum software ou receita pronta.

Abaixo segue a lista das cervejas que produzimos:


Reparem que foram, apenas, 18 levas, considerando o "marco zero" e duas experiências de pequena monta que somadas deram 51 litros, o que nos dá uma estatística bastante animadora, vejam:

Média de:

   * 56,2 litros/brassagem;
   * 92,0 litros/mês;
   *   3,1 litros/dia.

Só não sei precisar pra onde foi tanta cerveja, mas com absoluta certeza foi muito bem utilizada.

Parabéns para o Riva e para o Breda!

Parabéns para a B&R Beer!

Parabéns para a cerveja artesanal!

Prosit!!!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cerveja, porque mudar?

Estava a procurar um assunto para minha próxima postagem e numa conversa com minha namorada ela sugeriu que escrevesse algo sobre como iniciar alguém que está muito acostumado a beber as “pilseners” comerciais e acha que cerveja é somente isso. Gostei muito da idéia e cá estou, vamos falar de “iniciação, conhecimento e evolução”, não gosto do termo que as pessoas vulgarmente utilizam para esta ação, por isso não o utilizarei aqui.

O caminho para a consciência cervejeira não é longo, mas sofre de uma resistência congênita, pois o brasileiro nasceu, cresceu e vive sob a descarga massiva do marketing cervejeiro que prega que cerveja boa é cerveja muito gelada, exatamente para que você não sinta qualquer gosto. Aliás, se nunca ouviu alguém em uma roda de bar reclamando que a cerveja está quente e é impossível bebê-la assim, atire a primeira tampa; saiba que na verdade o que aconteceu com essa pessoa foi simplesmente o fato de que ela começou a sentir o verdadeiro gosto daquela cerveja.

Chega de “Blá”, vamos aos fatos, como nossas mentes e sentidos estão adormecidos devido à hipnose do marketing de massa, tendemos a evitar mudanças radicais, por isso o caminho mais fácil é iniciar por pequenas alterações naquele padrão nacional. A sugestão é iniciar pelas cervejas claras e ir aos poucos mudando esse aspecto e, juntamente às alterações cromáticas irmos adaptando nosso(a) aprendiz aos sabores e amargores cada vez mais intensos. Há quem sugira um tratamento de choque, mas prefiro o caminho suave, sugiro seguirmos cinco passos consecutivos para atingir o estágio de consciência, assim começaremos a iniciação.

Primeiros passos

Consideraremos somente três características para servir de base às transições, são elas:

a. Cor;
b. Teor alcoólico; e
c. Amargor.

Como disse, sugiro iniciar pelas cervejas que não alterem demasiadamente as características padronizadas para o consumidor brasileiro médio de cerveja, quais sejam: cerveja clara “amarela”, com 4,5% de teor alcoólico e amargor leve (em torno de 18-20 IBUs), ou seja, a tradicional “desce redondo”.

1° Passo

Básico, começaremos por uma witbier, manteremos praticamente todos os parâmetros e adicionaremos mais duas características novas que não assustarão ninguém, teremos uma cerveja levemente turva devido a presença de maltes de trigo, ou fermentação secundária, ou ainda pela ausência de filtragem, ao invés da tradicional transparência e um adocicado leve, maltado que não se encontra nas pilseners “super-hiper filtradas”.

A sugestão de cerveja para esse primeiro passo é a Hoegarden, facilmente encontrada em bares do Brasil. Segue breve descrição e sugestões de degustação:

Origem: Bélgica
Estilo: Witbier (ou blanche ou White)
Características: refrescante, turbidez leve, teor alcoólico de 4,9%, levíssimo aroma de banana.
Ingredientes diferenciados: raspas de casca de laranja e coentro.

As Witbiers harmonizam bem com saladas leves, peixes, frutos do mar e queijos de consistência media como Brie, Camembert, Queijo da Serra entre outros.

Outra cerveja do mesmo estilo para sua apreciação: La Trappe Witte Trappist


Iniciados, mas ainda no primeiro passo, passaremos então por outras cervejas de trigo:

Hefeweiss (sugiro Oettinger, Franzinkaner e Weihenstephaner)
Weisbier (Erdiger e Franziskaner),

Urweiss, (Erdinger) até chegarmos às brasileiras, que são ótimas, como a Weiss da BadenBaden e a Weizenbier da Eisenbahn.

Feito isso já passamos para uma coloração amarelo-ouro e para teores alcoólicos de 5,5%, além de aumentar um pouco o amargor, beirando os 25-30 IBUs, o que já é muito bom para um primeiro passo.

As cervejas de trigo agradam bastante aos iniciantes e também são uma ótima opção para as mulheres que não gostam (ainda) ou não tem muito o hábito de beber cerveja, além disso, fica a dica, é sabido que os homens preferem as mulheres que os acompanham em uma cervejinha.

Para os que pretendem acelerar o passo, dêem continuidade na seqüência das cervejas de trigo alterando para teores alcoólicos maiores e cervejas um pouco mais escuras e fortes, sugiro nesta ordem: Schneeweise, Octoberfest, Pikantus - Erdinger, DunkelWeise – Franziskaner, Weihenstephaner Vitus, Schneider Aventinus Weizen-Eisbock e por ultimo, fechando com classe: Weizenbock – Eisenbahn.


A idéia aqui não é apresentar as melhores cervejas, pois há muitas outras para apreciarmos, porém, as que selecionei para auxiliar os interessados em iniciar essa mudança de hábito são cervejas fáceis de se encontrar no Brasil e com um custo bastante razoável.
Na próxima postagem falaremos do segundo passo.

Prosit!!!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

I Festival de Inverno

Como diz o ditado, tudo o que é bom, dura pouco!

O primeiro concurso paulista de cervejas caseiras e o primeiro festival de inverno da ACervA paulista demoraram chegar, mas passaram num piscar de olhos, foi muito bom, mas acabou tão rápido quanto aquela leva de cerveja que você queria guardar algumas garrafas, mas que de golinho em golinho sumiu...

Contudo foi intenso, como não podia deixar de ser, muita cerveja, gente feliz, boa comida, muita conversa interessante, novos amigos, a televisão registrando tudo, pois é, estamos todos escrevendo páginas importantes da história da Cerveja Artesanal e Caseira do Brasil.

O churrasco estava muito bom, vejam as costelinhas no fogo de chão...


...comemos muito bem e bebemos também, mais de 25 chopeiras simultâneas e algumas caixas de garrafas, bebida boa não faltou.

Como prometi, colocarei nesta postagem os resultados do concurso, para relembrar, o estilo escolhido foi a ESB (Extra Strong/Special Bitter).

1º Lugar: Guilherme Alberici de Santi
2° Lugar: Paulo Cristiano Ferro
3° Lugar: Alex Wirz Vieira

Não pude experimentar as cervejas de todos os vencedores, mas experimentei uma delas, a do Paulo, que estava em uma das chopeiras para degustação e realmente fez por merecer, muito boa mesmo. As outras quem sabe provaremos em uma missa um dia desses.

Quanto ao sistema de avaliação, ele não foi, na minha opinião, a melhor opção, mas acredito que pela experiência dos participantes do júri e dos organizadores, o resultado não foi afetado. Foram 47 inscritos e 31 cervejas participantes, para avaliar todas as cervejas em um único dia o júri foi dividido em quatro grupos e cada grupo avaliou um lote de oito cervejas (ok para os mais detalhistas, um grupo deve ter ficado com sete). Foram retiradas de cada mesa as duas melhores cervejas e das oito finalistas ganharam as três melhores pontuadas.

Aqui vai a minha crítica e isso não tem nada a ver com o resultado, mas com o processo, imaginem que em uma mesma mesa estivessem mais de duas ótimas cervejas, então, somente duas passariam... agora o oposto, imaginem que em outra mesa estivessem oito cervejas medianas... duas passariam... logo, alguma cerveja boa pode ter ficado pelo caminho, quanto as medianas passarem, não haveria problema, seriam derrubadas pelas boas na próxima fase. Fica o registro.

Entendo a dificuldade, pois nós fizemos uma seleção com cinco amostras para escolher a melhor e já foi um parto, imaginem decidir sobre trinta e uma cervejas em um único dia... deve ter sido muito bom, mas muito difícil para os jurados que estão de parabéns por terem cumprido tão árdua missão!!

Deixo aqui também meus parabéns para a ACervA paulista, para a Bamberg e para todos nós Cervejeiros que fizemos a festa em Votorantim nesse final de semana, juntos faremos uma nova era cervejeira no Brasil.

Opa, ia me esquecendo, deixo a foto de toda a equipe B&R Beer uniformizada e marcando presença no evento:

Forte abraço a todos e que venham os próximos.

Prosit!!!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Beer Tour 2011 com Beer Weekend Paradise

Conversando com amigos decidimos que seria uma ótima idéia iniciar uma "bolsa turismo" para visitarmos o Beer Weekend Paradise em Bruxelas na Bélgica no ano que vem, por isso resolvi colocar uma enquete no Blog para verificar se há interessados em fazer essa "procissão etílico-cultural" conosco.

Logicamente, ir até lá para um final de semana apenas não seria viável, por isso a sugestão é fazer um "Beer Tour" como o que fiz em 2008 e que vocês podem conferir no Blog em minhas primeiras postagens.

A primeira sugestão é irmos para Holanda, Bélgica, Alemanha e República Tcheca em um roteiro de pelo menos 12 dias com programações cervejeiras como festas regionais, visitas a cervejarias e mosteiros e curiosidades do velho mundo cervejeiro. Talvez incluir Inglaterra e Irlanda, quem sabe...tudo vai depender da procura e do interesse das pessoas em conhecer um pouco mais sobre a bebida.

Depois da enquete, voltarei ao assunto, mas se você já tiver interesse em participar, envie um e-mail para mim e vamos engrossando essa lista.

Se começarmos a pagar a viagem com antecedência, teremos mais chances de conseguir bons preços em passagens e acomodações.

Fico no aguardo das "inscrições".

Prosit!!!

Juri do 1º Concurso Paulista de cervejas Caseiras


Semana que vem postarei aqui os resultados.

Prosit!!!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A polêmica água cervejeira

Na explanação para responder a pergunta que recebemos constantemente sobre com quais ingredientes se faz uma cerveja, geralmente começamos por ela, e isso se faz espontaneamente. A singela lista dos quatro dificilmente começa por outro, a resposta quase sempre será "água, maltes, lúpulos e levedura".

Mas quem é que nunca ouviu alguém dizer que a cerveja "A" fabricada na cidade "x" é muito melhor que a mesma cerveja produzida na cidade "y"??? Nem precisa responder, esse é um dos maiores mitos que circundam a bebida. Lendo sobre o assunto, mais uma vez, me deparei com uma matéria interessante da revista BeerLife na Internet, cuja manchete é: "Água: a base para uma boa cerveja" escrita pelo Matthias R. Reinold, onde ele explica com toda propriedade de um mestre cervejeiro com décadas de experiência, quais são os mitos e realidades desse ingrediente. Para não repeti-lo em nada, sugiro que leiam a matéria clicando no link acima.

Observei nas discussões da ACervA no grupo de e-mails, muitas opiniões e dicas para os interessados em purificar sua água cervejeira, e defini que minha tarefa seria então pensar em uma maneira de mostrar, de uma forma simples, para leigos e também para meus confrades cervejeiros que talvez alguns deles estejam exagerando na preocupação com filtros triplos, estabilizadores de pH, produtos químicos para reduzir a turbidez e outras geringonças e coisas que podem até ter um efeito benéfico, mas sinceramente, podem ser imperceptíveis em nossas cervejas encorpadas, lupuladas e bastante alcoólicas.

Ressalva tradicional, não estou dizendo que vocês devem "esquecer" da água e usar qualquer uma, o que trago aqui é uma análise que pode ser feita por qualquer um em qualquer lugar para verificar se realmente se faz necessária tanta preocupação, lembrando que em alguns casos isso pode encarecer, deveras, o fabrico da bebida.

O primeiro passo foi rever aqui no Blog os parâmetros adequados para a água cervejeira (ver postagem Processo Cervejeiro) onde apresentei um quadro retirado do site do próprio Matthias http://www.cervesia.com.br/agua.asp e planilhar as informações de forma a possibilitar a análise comparativa. Em seguida, procurei sem muito esforço, mas também sem muito sucesso, informações no site da SABESP, onde encontrei a análise mensal das águas de todas as cidades do Estado de São Paulo atendidas por essa compania, contudo não haviam informações completas mas 2/5 das variáveis necessárias, o que não chega a ser suficiente, porém o site informa que a análise é gratuita e basta você solicitá-la (não fiz a solicitação para confirmar).

Fui então ao site da SANASA, que fornece a água na cidade de Campinas, onde se encontra a B&R Beer e me surpreendi com a qualidade da informação disponível. Pelo site acessei o link de Análise da Água  e selecionei a região onde se localiza nossa produção, assim, obtive um relatório muito completo sobre a água que é entregue nas torneiras que utilizamos para obter nossa água cervejeira.

Muito bem, naquele momento já possuía insumos para fazer minha análise. A tabela comparativa ficou assim:


Se observarmos com atenção, dos 15 parâmetros colocados acima a água da rede pública se encaixa praticamente em 50% sem qualquer intervenção, até mesmo o pH que é tão falado nas rodas cervejeiras, além disso cloro e amoníaco são volatilizados no processo de cozimento e fervura, ficando cloro residual, ferro, silica e nitratos numa filtragem comum. Nitritos e magnésio são desvios irrelevantes pelos números apontados.

Considero, pois que não há nenhum prejuízo em utilizarmos a água da SANASA sem qualquer processo ou equipamento especial ou caro, mas com a devida cautela, não sou químico nem tão pouco BrauMeister formado, por isso solicitei a opinião de um dos grandes especialistas em cerveja do nosso país e que é uma pessoa muito atenciosa em suas respostas quando consultado.

Para que, enfim, os mais descrentes sejam no mínimo informados de que embora muito importante e com papel fundamental no resultado final, nossa água (a que serviu de base para a análise) é de muito boa qualidade para o processo cervejeiro, principalmente em se tratando de nós cervejeiros caseiros, segue o que o Matthias me escreveu sucintamente sobre a água que utilizamos hoje em nossa produção:

"Em princípio não há necessidade de se efetuar qualquer correção, apenas declorar a água com filtro de carvão ativado (cartucho)."

Quero reforçar que não estou dizendo "não faça nada com sua água, use-a direto da torneira!" e muito menos que o especialista consultado desaconselhou qualquer tratamento, o que está aqui demonstrado é que se você tiver uma análise da água da rede pública que o serve e ela estiver dentro dos parâmetros indicados para a água cervejeira, uma filtragem simples com carvão bastará.

Espero ter dado uma boa contribuição para ajudar a desfazer o tão famoso mito da água para a produção da cerveja, e não deixem de ler a matéria indicada no início da postagem!

Fiquem em Paz.

Prosit!!!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dry Hopping

Tenho recebido muitas perguntas sobre esse processo, por isso resolvi dar uma palha a respeito, não é algo que costumo fazer por que não gosto, mas em alguns casos é uma boa opção.


Dry Hopping é conhecidamente um processo onde há a adição de lúpulo à cerveja durante o período de fermentação e pode ser feito em vários momentos dessa etapa; Várias IPAs usam esse processo para aromatização. Alguns cervejeiros artesanais sugerem que se faça o dry hopping na maturação, ou em uma fermentação secundária, nesses casos você terá que drenar um trub frio mais uma vez, pois já drenou o fermento após a fermentação primária (ou única), mas nenhum deles está errado, só te dará mais ou menos trabalho.

Muita gente se preocupa em contaminar a cerveja fazendo DH, pelo fato de não ter fervido o lúpulo, pois ele pode conter algum microorganismo, mas estatisticamente a probabilidade de ocorrer contaminação pelo lúpulo é muito remota, explico:

A literatura orienta para que o processo de DH seja feito quando pelo menos 70% da fermentação esperada já tenha ocorrido ou após o final da mesma, assim a cerveja terá uma maior estabilidade microbiológica. Quando a fermentação está completa a cerveja não possui, via de regra, oxigênio solubilizado (digo via de regra, pois isso vai depender de como você realizou seu processo de fermentação, se ficou abrindo  tanque em momentos inadequados pode ter permitido a entrada de oxigênio) e como a maioria dos microorganismos que podem causar contaminação são aeróbios, a ausência de O2 diminui muito ou elimina a possibilidade de sua proliferação, além disso a cerveja neste momento já contém álcool o que também inibe a proliferação de outra gama de microorganismos. Por fim, após a fermentação o pH da cerveja é baixo transformando o líquido em um ambiente hostil aos vilões da contaminação.


Como fazer o Dry Hopping

Gosto sempre de dizer que não tenho a pretensão de afirmar que só há uma maneira de fazê-lo, nem que a que descrevo é a melhor de todas ou que é perfeita; o que transcrevo aqui é a maneira que escolhi para fazer e que já testei e funciona a contento, por isso a compartilho. Digo isso, pois todos já vimos em algum lugar coisas do tipo, "não faça de outro jeito que está errado", ou "essa é a melhor do mundo" e tantas outras frases modestas..., aqui digo o que fiz e explico "como" e "porque", o resto, ou seja, a escolha, é com vocês. Vou descrever o processo pós-fermentação e sem fermentação secundária, ou seja, durante a maturação.

i. terminada a fermentação e após a retirada do fermento, você deverá adicionar o lúpulo e misturar um pouco. Sugiro que seja em pellets pela facilidade, além de um menor risco de problemas que as flores ou de errar a mão com o extrato, mas fique à vontade para escolher, somente tenha em mente que as quantidades serão distintas para cada tipo. Assim, procure evitar contato dos pellets com qualquer coisa, como a balança, por exemplo, o ideal é que você abra seu pacote de lúpulo e coloque diretamente na cerveja, mas, se isso não for possível, procure sanitizar os equipamentos que for utilizar para evitar contaminação;


ii. para uma extração mais adequada dos aromas do lúpulo o ideal será deixá-lo na cerveja por duas semanas (14 dias), pois no momento da adição os pellets irão "boiar" na cerveja e, aos poucos, com o passar dos dias, a superfície ficará verde como se estivesse coberta por algas ou limo. Durante as duas semanas a maior parte do lúpulo se decantará, mas alguma coisa ainda ficará na superfície, isso é normal;


iii. ao engarrafar, tome o máximo de cuidado para evitar que o lúpulo residual que ainda está flutuando vá para suas garrafas ou barril, ele tenderá a se prender às paredes do maturador, isso o ajudará a evitá-lo, por isso procure não agitar ou balançar o recipiente durante o processo; Contudo, se algum lúpulo for sugado para as garrafas não se preocupe, ele se decantará dentro da garrafa, além disso, não causará grandes prejuízos à sua cerveja, no mais, você pode utilizar uma peneira fina na saída da cerveja antes do engarrafamento, mas isso será um fator de contaminação.


Uma boa alternativa é utilizar saquinhos "hop bags" que evitarão que o lúpulo se espalhe pela cerveja, você pode utilizar um tecido sintético e deixar seu lúpulo em infusão na cerveja, como se fosse um sachet de chá, algumas pessoas deixam os "hop bags" dentro do post-mix mesmo enquanto degustam a cerveja, contudo, fica à critério de cada um.


Para quem desejar fazer o DH durante a fermentação primária, ou seja, antes de retirar o fermento, faça a adição dos pellets quando sua fermentação estiver a 70-80%. Simplesmente abra seu fermentador e adicione o lúpulo. Lembre-se somente de que você não irá retirar o fermento ao término da fermentação e deverá deixá-lo no tanque durante as duas semanas em que o lúpulo estiver agindo. Não se esqueça, porém de que a temperatura deve ser a de maturação para "desativar" a ação do fermento. Após as duas semanas você drenará o fermento e o lúpulo de uma única vez.


Falta agora o que todos queriam saber, quanto coloco de lúpulo?

Pois é, para essa pergunta só há uma resposta possível, àquela que ninguém gosta de ouvir, mas DEPENDE! A questão aqui é determinar quão aromática você quer que sua cerveja fique, sim, AROMÁTICA, pois o DH não se propõe a aumentar seu amargor, somente aumentar os aromas e realçar o sabor de lúpulo, pois o amargor somente se dá na fervura onde os alpha ácidos são solubilizados e transferidos ao mosto.

Por isso, use e abuse do DH, mas lembre-se de anotar as quantidades utilizadas para poder repetir sua receita e fiquem à vontade para mos contar aqui suas experiências de sucesso.

Fiquem em Paz!

Prosit!!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

De volta para a casa

Depois de merecidos 20 dias de férias "totais", sem telefone, sem celular, sem e-mails profissionais, quase sem e-mail pessoal e sem publicações, estou de volta ao Brasil.

Foi uma viagem sensacional pelo Egito e Grécia que em doses homeopáticas colocarei aqui. Paisagens pitorescas, maravilhas que só havia visto em livros e filmes, fotos de revistas e cartões postais; valeu muito à pena, recomendo a todos e darei aqui algumas dicas importantíssimas que, mesmo tendo vasculhado a internet, só pude aprender vivenciando, mas não se aflijam, não aconteceu nada de errado, graças a Deus, a viagem foi um sucesso, tudo correu conforme o planejado; colocarei somente orientações para quem pretende ir para o mesmo destino e não tem idéia do que irá enfrentar.

Um abraço a todos que, mesmo na minha ausência e sem novas publicações continuaram acessando e prestigiando o Breja do Breda.
Prosit!!!