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domingo, 13 de março de 2011

Conheçam nossa nova obra

Caros amigos leitores, hoje terminada a obra, tenho o grande prazer em apresentar-lhes minha mais nova criação, pensei muito sobre um estilo que sempre me chamou a atenção por sua robustez e personalidade, assim depois de alguns rascunhos e boas horas procurando por um nome que fosse aderente ao peso deste estilo cheguei a um casamento perfeito.


Como sempre, meu trabalho de pesquisa precede qualquer tomada de decisão e desta vez não poderia ser diferente, comecei por escolher dentre as Porters um sub estilo pouco citado em rodas de cerveja e mais elaborado, cheguei sem pouco esforço e nenhuma dúvida a algo que descrevo a partir de agora tentando transmitir a vocês a minha alegria em chegar a essa criação.

Devido a sua origem, nada seria mais justo do que mergulhar nas tribos e lendas ancestrais da Grã-Bretanha e nenhuma delas é mais mística do que a vida dos Celtas e nem mais conhecida do que as histórias de Arthur, o Rei, aquele que retirou a espada da pedra e foi aconselhado por Merlin, o grande mago. O que pouca gente sabe é que, embora cercada de muita controvérsia, a lenda é dita "Celta". Colocarei links no final da postagem para quem tiver interesse nesse tipo rico de literatura.



Voltando à luz e à cerveja, o misticismo celta me levou a uma descoberta, uma deusa com a qual sempre simpatizei e provavelmente muitos de vocês também, mas como de costume a estória foi distorcida e até hoje muita gente a considera do mal, mas ela é do bem, a mais talentosa e fiel seguidora do poderoso Grão-Druida. Na lenda arturiana sua figura aparece como uma deusa tríplice que representa o nascimento, a morte e a ressurreição, sendo uma das nove sacerdotizas que nos tempos romanos habitavam uma ilha localizada bem diante das costas da Bretanha. Seu nome tem origem celta e quer dizer mulher que veio do mar. As lendas baseadas nos contos do Rei Arthur acreditam que ela foi uma sacerdotisa da Ilha de Avalon, na Bretanha; resumindo o que vocês poderão ler em detalhes depois, após a morte de Arthur, a Ilha de Avalon se desliga quase por completo do mundo e a Bretanha cai numa era negra nas mãos dos saxões...

Curiosos? OK, sem mais delongas lhes apresento minha mais recente obra:


Nossa B&R Morgana® é uma cerveja forte e de alto teor alcoólico com paladar marcante e aromas de café e toffee. De coloração negra intensa, demonstra personalidade trazendo uma espuma densa e cremosa com destaque para sua tonalidade Deve ser apreciada preferencialmente em copos típicos ingleses ”Pint” e harmonizadas com carnes de caça e assados. Experimente ousar servindo a B&R Morgana® com chocolate amargo ou saboreando seu charuto preferido.

 

Isso mesmo, uma Baltic Porter - eu sei, eu sei, nunca ouviu falar não é? Pois bem, quando a vi em minhas pesquisas foi como um sinal, "é essa!" - eu disse; Depois, procurar um nome à sua altura foi mais difícil, mas os Celtas me mostraram o caminho.

Sem mais detalhes sobre seus ingredientes dessa vez, em breve o farei na melhor tradição Breja do Breda de compartilhamento de informações.

Espero que tenham apreciado ao compartilhar comigo essa alegria.

Prosit!!!

Breda


PS - Leiam todas, vale a pena, assim quando provarem a cerveja poderão sentir o misticismo que a envolveu durante sua criação. Procurei links em português para facilitar, mas há muitos outros, até mais ricos, em inglês para quem realmente se interessar. 


Inglês:


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

...seguindo nosso caminho...

Falarei sobre as cervejas do tipo Porter, agora que começamos a curtir cervejas encorpadas e escuras estamos prontos para experimentá-las apreciando todas as suas características e qualidades.

São cervejas escuras fortes e encorpadas, uma matéria bem interessante sobre ela, sua história e curiosidades, pode ser vista na Wikipedia, por isso não me preocuparei em repetir o texto, colocarei somente alguns pontos que acho mais interessantes. 

"No passado as London Porters eram mais fortes, em 1770 há registros de que elas possuíam OG de 1.071 e 6,6% ABV, porém o aumento dos impostos sobre a cerveja durante a guerra "Napoleônica" fez com que a gravidade original caísse para 1.055 e foi mantida nesse patamar até o final do século 19. A popularidade do estilo levou as cervejarias a produzi-la com vários teores diferentes iniciando pela "Single Stout Porter" com aproximadamente 1.066, a "Double Stout Porter" (curiosidade: a Guinness foi originalmente batizada de "Extra Superior Porter" e somente teve seu nome alterado para "Extra Stout" em 1840) com 1.072, a "Triple Stout Porter" com 1.078 e a "Imperial Stout Porter" com 1.095 entre outras. Depois do século 19 a nomenclatura Porter foi gradativamente alterado, contudo as cervejarias Inglesas continuaram utilizando a palavra "Porter" como termo genérico para ambos os estilos Porters e Stouts.

Atualmente as cervejarias tem produzido variedades de Porters incluindo muitos adjuntos diferentes como abóbora, mel, baunilha, chocolate e bourbon, entretanto, as cervejarias especializadas em Porter mantém a tradição de envelhecer a cerveja em barris, sendo a utilização de barris de bourbon bastante comum."

O interessante dessas cervejas é sua personalidade, com pouco tempo você pode distinguir uma porter de uma stout facilmente sem ver a garrafa, somente pelo líquido em seu copo, o aroma e sabor característicos os levarão a gostar cada vez mais das cervejas encorpadas, de amargor acentuado e cada vez mais aromáticas, ou seja, lembram a frase que você ouviu milhões de vezes quando alguém experimentava uma cervejinha pilsener pela primeira vez? "Ah, não gostei, é amarga!", pois é, imaginem então se essa pessoa estivesse provando uma  "extra bitter", nem quero imaginar as possibilidades...

Vamos às recomendações e as fotos:
Se puderem experimentem todas, mas como algumas são muito difíceis de encontrar, comecem pela Fullers London Porter e pela Old Engine Oil, se conseguir não deixe de degustar a Meantime. A Hooker e a Waitrose são imperdíveis, mas não vai ser fácil conseguir uma por aqui.
Boa sorte aos confrades e, se alguém encontrar uma Hooker compre algumas garrafas a mais e me avise, fico com elas!!!
ΛΩ

Barley Wine
A próxima da lista e último estilo desse passo é a famosa Barley Wine. Inglesas de origem e com uma "explosão" característica de aromas, a primeira cerveja a levar esse nome data do ano de 1900, o nome advém do fato dela ser forte como um vinho, pois possui teor alcoólico entre 8,5 e 12% com OG variando de 1.090 a 1.120 e ser feita de cevada e não de uvas. O espectro de cores varia do âmbar ao cobre escuro, mas até os anos 50 todas as cervejas desse estilo eram escuras. Para apimentar a questão de estilos, segundo Martyn Cornell, historicamente as Barley Wines e as Old Ales não apresentam diferenças se comparadas. Não falarei aqui das Old Ales, mas procurem por elas na internet e degustem-nas são pontos de referência interessantes.

No quesito amargor as Barley Wine vão de 50 a 100 IBU e sua coloração pode oscilar de 24 a 48 EBC.

Temos duas ótimas Barley brasileiras que são a Baden Baden Red Ale e a Schmitt Barley Wine; Sugiro começar pela segunda que é mais suave, mas não deixem de provar a de Campos do Jordão, ambas são excelentes. Se encontrar a Schmitt Magnum não perca a oportunidade de experimentá-la.


Experimentem também as belgas Bush de Noël e Bush Ambrée, duas maravilhosas cervejas, valem muito a pena.


Para terminar essa deliciosa iniciação à cerveja falarei das "extreme beer" no próximo post.

Prosit!!!