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quarta-feira, 24 de julho de 2013

de Pilsen a aromático

Caríssimos, hoje passarei a vocês minha receita de malte aromático para torra caseira.

Alerto para não julgarem que estaremos criando um caraaroma idêntico ao comercial, mas podem ter certeza de que terão um malte caramelo aromático muito bacana.

Vocês precisarão de:

Malte Pilsen
Água filtrada e declorada
Açúcar cristal
Balde
Panela
Assadeira rasa
Espátula gradeada (como aquelas de pegar macarrão)
Fogão e forno a gás

O processo é bem simples.

Passo 1

Coloque 100g de açúcar cristal para cada 01 kg de malte que pretende torrar em uma panela e faça um caramelo âmbar (da cor da garrafa tradicional de cerveja) em fogo brando.
Quando estiver no ponto, desligue o fogo e deixe esfriar.
Após esfriar um pouco acrescente 100ml de água filtrada e fervendo para derreter o caramelo e criar uma calda.
Reserve.
 

Passo 2

Coloque no balde o malte pilsen e acrescente água (para cada 01 kg de malte pilsen vocês deverão utilizar 500 ml de água).
Acrescente a calda caramelada já líquida à essa mistura.
Mexa bem e deixe o malte absorver a água e o caramelo por 24 horas.

OBS: Não deve sobrar líquido no balde. Caso não haja a absorção total, elimine o excesso de líquido, pois o malte deve ir para a torra úmido, mas não encharcado.
 

Passo 3

Coloque porções de malte úmido e caramelado na assadeira criando uma camada de no máximo 2,5cm de altura.
Leve ao forno aquecido a 200 graus por 40 minutos, lembrando sempre de revirar o malte e mexer bem a cada 05 minutos para evitar que queime e que crie pelotas.
Após a torra, retire da assadeira e coloque em uma peneira ou em outra assadeira cobrindo com um pano seco para esfriar.

OBS: Quanto melhor for a forma que você mexer e revolver o malte na assadeira, melhor será a homogeneidade da torra.

Pronto, seu malte aromático estará disponível para dar um toque especial à suas receitas.

Quanto antes você utilizar o malte mais aromas ele trará a sua cerveja. Se for demorar para utilizá-lo procure armazená-lo em um recipiente hermético para conservar o aroma.

Não coloque o malte no recipiente hermético antes que tenha esfriado totalmente, pois pode gerar umidade e estragar seu trabalho.

Malte pilsen antes da torra
 
 Malte pilsen depois da torra


 Lado a lado - pilsen e "aromático by Breda" - o mesmo malte!
 
Aguardem novas postagens sobre torras criadas e testadas pelo Breja do Breda.

Forte abraço e boas cervejas.

Saúde!!!

Breda

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Maltear ou Torrar, eis a questão.

 
Caríssimos, hoje escrevo sobre um assunto que está um pouco em evidência no meio cervejeiro artesanal/caseiro, a Malteação.

Na verdade não me aterei muito a malteação de fato, pois acredito que esta não seja compensadora para nós que não utilizamos “toneladas” de malte diariamente, afinal maltear exige uma série de controles não somente do processo, mas verificações laboratoriais posteriores que estão muito além das possibilidades do HomeBrewers em geral. Deixo bem claro aqui que admiro, e muito, alguns companheiros de caldeirão que hoje tem desenvolvido um trabalho de malteação caseiro sensacional, mas mantenho minha opinião sobre o que é compensador para a pequeníssima escala que praticamos.

Oras, mas se você não vai falar de malteação Breda, porque começou com ela? Simples, darei um briefing sobre o que é a malteação (e vocês entenderão porque não julgo compensador maltear em casa) e quais são os principais parâmetros do malte que o cervejeiro precisa considerar quando está a elaborar sua receita, pois quem nunca se deparou com uma repetição ipsis litteris de uma produção e não atingiu exatamente o mesmo resultado? Isso pode ser causado por diferenças no malte também, por isso falaremos um pouco a respeito.

O próximo passo será falar da torrefação do malte, ponto este que considero muito mais relevante, afinal um quilograma de malte dito especial custa três ou quatro vezes mais caro que o pilsen base, por isso minha intenção é auxiliar meus pares a diminuir esse custo na sua produção partindo é claro do pilsen e elaborando alguns maltes especiais para suas receitas.

Como de costume aviso aos navegantes que não tenho a pretensão de ensiná-los a elaborar todos os tipos de malte, afinal, não é assim que as maltarias elaboram suas preciosidades, mas sim dar o caminho das pedras para a elaboração de alguns maltes que podem ser substitutos dos mais caros e que são usados em pequenas quantidades, além do meu objetivo principal que é abrir a vocês a porta para que criem seus próprios maltes e possam elaborar receitas ainda mais originais.

Preparados?

Malteação

Processo biológico controlado da germinação, com objetivo de solubilizar o grão, que consiste na decomposição do amido e das proteínas nele presentes. 


A germinação pode ser natural ou artificial. Obviamente no caso da malteação estamos incursos no processo de germinação artificial, afinal, no processo natural de germinação, o único objetivo será a formação de uma nova planta.
 
Germinação artificial
Objetivos:
– Ativação e formação de enzimas necessárias para a elaboração de cerveja;
– Ação controlada das enzimas sobre as substâncias de reserva;
– Formação dos componentes característicos de aroma, cor e paladar;
– Obtenção da melhor qualidade de malte ao menor custo de industrialização.
 
A malteação é conduzida através da variação dos seguintes parâmetros:
- umidade
- temperatura
- relação O2/CO2
- tempo
- substâncias ativadoras e retardadoras
 
Deve ser feita uma avaliação sensorial dos Grãos logo no seu recebimento, pois em alguns casos a carga toda de cevada pode ser recusada pela maltearia em função de resultados ruins nessa primeira análise.

São avaliados sensorialmente no recebimento: cheiro, formato e tamanho dos grãos, umidade, grau de impureza, temperatura, existência de grãos pré-germinados, cor e brilho, uniformidade, rugosidade das cascas e presença de insetos vivos.
 
Após a avaliação sensorial será feita a avaliação física e mecânica através do sortimento (classificação), peso de mil grãos, peso hectolítrico, natureza do endosperma.

Em seguida é feita a avaliação fisiológica:
- poder germinativo;
- energia de germinação;
- sensibilidade á água;
- capacidade de absorção de água; e
- % de grãos pré-germinados.
 
Por fim será realizada a avaliação química para obter o teor de umidade e nitrogênio total (teor de proteína).
 
Analisados, os grãos de cevada passarão por um processo de pré-limpeza que consiste em:
• Retirada mecânica de sujidades
• Exposição a Imãs
• Despedradeiras
• Máquinas de limpeza
 
As sujidades devem ser retiradas pois são pontos de possível contaminação microbiológica (pó, palha, etc.) e por haver a possibilidade de causar danos aos equipamentos (pedras, metais, etc. ocultos entre os grãos). 

Após a limpeza, o malte será classificado. A classificação é feita utilizando-se peneiras vibratórias para a separação de grãos por tamanho (peneiras de 2,2 e 2,5 mm). Essa separação tem por objetivo a viabilização de uma malteação homogênea, pois grãos maiores absorvem água de forma uniforme enquanto grãos menores absorvem água mais rapidamente.

Tendo passado por essas etapas, a cevada será armazenada com o objetivos de quebrar a dormência dos grãos recém-colhidos, o que se chama de Maturidade de Malteio ou Maturação pós-colheita de forma que o acondicionamento da cevada sem dormência seja feito até a sua industrialização mantendo-se, assim, seu poder germinativo

Somente depois de todo esse trabalho e de seguir as condições adequadas de triagem e armazenamento é que poderemos iniciar a malteação.

Malteação
 
O processo de malteação é formado pelas seguintes etapas:
– Maceração;
– Germinação sob condições controlada de umidade, temperatura e aeração;
– Posterior Secagem/torrefação.
 
Maceração
Objetiva a ativação de enzimas e o amolecimento das estruturas do grão. A função da maceração da cevada é, inicialmente, introduzir a água necessária ao embrião para que ele inicie a germinação e isto ocorrerá mantendo-se uma umidade de 35-40%.
 
Durante a maceração a cevada deverá:
• Absorver água;
• Ser abastecida com Oxigênio;
• Eliminar CO2.
 
Processo de Maceração
- Lavagem (limpeza úmida) da cevada e retirada da cevada flutuante, matérias estranhas e impurezas que não submergem;
- Imersão da cevada limpa e classificada em água para aumento do teor de umidade do grão para um nível de 35 a 45%. Observe que para iniciar o desenvolvimento embrionário, o grão de cevada necessita um teor mínimo de umidade entre 32 e 35%;
 
IMPORTANTE: Durante o processo de maceração ocorre a absorção de água pelo grão e torna-se necessário o abastecimento de oxigênio para o embrião.
Nesta etapa temos períodos de maceração úmida e seca, sendo:

Maceração úmida (períodos de 3-5h)
A cevada fica totalmente submersa na água por várias horas, principalmente no início da maceração. Com isto a cevada absorve rapidamente a água. Neste período ocorre aeração intensa e sucção de CO2.
 
Maceração seca (períodos de 15-18h)
A cevada fica algumas horas, no macerador sem água. Com isto a cevada absorve a água aderida nas cascas e oxigênio. Também faz-se a remoção de CO2 por sucção. 
Feita a maceração, a cevada passará para as câmaras onde se iniciará o processo de Germinação.
 
Germinação
Por definição, germinação é o processo de transformação da semente em uma planta e que se inicia com a atividade da semente sob o solo e termina quando aparece a primeira folha da planta. Após o período de dormência, a germinação iniciará desde que a semente tenha oxigênio, água e calor em quantidade suficiente.

Nas primeiras fases da germinação, a semente embebe-se de água; o embrião começa a usar suas reservas de alimento; a radícula incha, rompe o envoltório e cresce para baixo;  e a plúmula é empurrada para cima em direção a superfície. Assim, o processo de germinação, isto é, a elaboração do malte verde, é caracterizado pelas seguintes fases:
– Formação e ativação enzimática;
– Transformações das substâncias de reserva;
– Desenvolvimento embrionário (crescimento do folículo e radícula).
 
Esquemático do grão de cevada e exemplificação da mudança ocorrida no endosperma (Fonte: SENAI-RJ)


Formação de DMS
 
O DMS (dimetil sulfeto) é um óleo vegetal, que pode transferir à cerveja um gosto de “vegetais cozidos”. O mais importante precursor do DMS no malte é SMM (Smetilmetionina), formado com a degradação das proteínas do grão sendo que quanto maior a modificação do corpo farinhoso maior será a formação de SMM.

O SMM não é volátil, mas degrada com calor (secagem). Importante saber que o DMS é um dos produtos desta degradação, e por ser volátil é facilmente removido do malte, entretanto a remoção não atinge 100%, restando algum DMS no malte. Outro precursor importante é o DMSO (dimetilsulfóxido) que provavelmente é formado pela oxidação do DMS ou do SMM durante o processo. O DMSO não é volátil e pode ser reduzido para DMS pelas leveduras durante a fermentação.

Fatores que diminuem a formação de DMS:

– Baixo teor proteico na cevada;
– Baixo grau de modificação do endosperma durante a germinação;
– Alta vazão de ar durante a secagem do malte verde;
– Baixa altura da camada de malte verde na estufa;
– Temperatura do ar de processo na pré-secagem > 60º C;
– Temperatura final de secagem em 85º C.

 
Controles do Processo de Germinação
A germinação é feita em bateladas, esse é o termo utilizado na maltearia. De cada batelada deverão obrigatoriamente ser registradas as seguintes informações:
– grau de maceração;
– umidade da cevada em germinação;
– registros sobre ar novo/retorno/saída;
– temperatura desejada/real;
– revolvimento seco/úmido.

Câmara de germinação (Fonte: SENAI-RJ)

Germinador circular (Fonte: SENAI-RJ)

Vamos agora para a Secagem

Objetivos
- tornar o produto estável para o transporte e armazenamento, pois a elevada umidade torna o malte verde facilmente deteriorável;
- finalizar os processos biológicos das transformações das substâncias de reserva do grão;
- fornecer o paladar e aroma característico, de acordo ao tipo de malte a ser elaborado;
- fornecer uma determinada cor ao malte; e
- secagem das radículas para permitir a sua subsequente retirada, pois possuem características higroscópicas e forneceriam um amargor indesejável à cerveja.

 
Processo

Pré-secagem
Desumidificação do malte verde a baixas temperaturas (entre 45 e 65ºC), reduzindo a umidade de 43/45% para cerca de 10%, mantendo-se o malte por 10-12h a 45-65ºC.

Torrefação
Em linhas gerais e simplificadamente, os maltes claros são torrados entre 80-85ºC por até cinco horas mantendo uma umidade entre 3,0-5,0%; Maltes escuros permanecem entre 105-130ºC por até três horas (caramelo) com umidade entre 1,5-3,0%.

Observações importantes
 
1.      Em temperaturas mais elevadas, a desumidificação é mais rápida; Os poros das camadas externas do corpo farinhoso se fecham; A água no interior do grão não evapora; e o corpo farinhoso endurece e vitrifica (vitrificação do malte);
2.      100kg de cevada = 160kg de malte verde (com cerca de 47% umidade) = 80/78kg de malte pronto (com umidade abaixo dos 5,0%);
3.      A perda enzimática é maior a altas temperaturas e altas umidades. A ação enzimática ocorre em temperaturas de até 70ºC e umidade acima de 20%. As enzimas sofrem menos quando expostas ao calor seco.

Atividade durante a secagem.

Na faixa de temperatura entre 40 e 70ºC:

Atuam principalmente as amilases, peptidases, glucanases e fosfatases. O metabolismo cessa face à umidade reduzida ou as enzimas são inativadas/destruídas pela temperatura crescente, pois as enzimas são mais resistentes à umidade mais baixa.

Em temperaturas acima de 70ºC

Ocorre a formação de substâncias corantes e aromatizantes, melanoidinas, reação entre aminoácidos e açúcares simples através da reação de Maillard. Para maltes claros a temperatura do ar de secagem é de 80 a 85ºC (máxima), para evitar o escurecimento excessivo do mosto/cerveja.

Coloração do Malte

Fonte: SENAI-RJ


Considerando a utilização de alguns tipos de malte a coloração do mosto seria:

Malte
Cor do mosto (EBC)
mínimo
máximo
Malte verde
2,0
2,5
Malte tipo Pilsen
2,5
4,0
Malte tipo Viena
5,0
8,0
Malte tipo Munique
9,5
21,0
Fonte: SENAI-RJ

Abaixo segue uma tabela comparativa entre os processos de secagem do malte pilsen e do malte munich. Observem que, como tratamos com muita informação advinda da grande industria não temos a rica variação de maltes que é grande conhecida de nós todos, cervejeiros artesanais.

 Fonte: SENAI-RJ

Melanoidinas

As melanoidinas não são somente corantes, mas também aromatizantes e substâncias que influenciam o paladar.

MALTE CLARO
MALTE ESCURO
Temp. de Torrefação 80-85ºC
Temperatura de torrefação 105ºC
Desumidificação rápida e gradativa através de grandes volumes de ar
Desumidificação mais lenta através de mais utilização de ar retorno
As enzimas são poupadas. Ação enzimática fraca = quantidade menor de aminoácidos e açúcares
Intensa ação enzimática = mais produtos da digestão como aminoácidos e açúcares
 
Consequência: menos melanoidinas e cores mais claras
Consequência: mais melanoidinas e cores mais escuras e mais corantes
Umidade do malte pronto 5,0-3,0%
Umidade do malte pronto 3,0-1,5%
Fonte: SENAI-RJ

Fonte: SENAI-RJ
Tratamentos após secagem
- Resfriamento (ideal armazenar a 20°C): Evita desnaturação enzimática e incremento de cor;
- Remoção das radículas (degerminação ou polimento): Conferem cor e amargor indesejado;
- Armazenagem (“pousio” de quatro semanas para uniformizar umidade): Blendagens com os diversos lotes disponíveis, com características qualitativas distintas, visando atender as especificações qualitativas das cervejarias;
Características do Malte Pronto
Fonte: SENAI-RJ
Ufa!
Depois disso tudo feito sob os mais rigorosos controles de qualidade e padronização, o malte chega até os distribuidores e posteriormente à sua panela para virar cerveja. Assim, reafirmo minha opinião sobre não valer a pena maltear em casa, a não ser pela experiência de se fazer um malte caseiro, pois vocês hão de convir que todo esse controle e todas essas análises para a verificação de parâmetros não serão facilmente executadas em um ambiente caseiro.
Passemos então para o que realmente interessa e que pode enfim gerar uma redução de custos para o cervejeiro artesanal além de permitir de fato um diferencial em termos de características na sua cerveja final.
 
Torrefação

Porque torrar seu malte em casa?

Primeiro, por questões de custo, como citei acima, os maltes com torras especiais podem custar até três vezes mais caro que o pilsen base.

Segundo por questões sensoriais, pois um malte recém torrado utilizado poucos dias após sua produção (se armazenado em recipiente que mitigue a entrada de ar) terá aromas muito mais intensos e dará características mais aparentes a sua cerveja do que aqueles que foram torrados há algum tempo, que é exatamente o caso dos comerciais, que as vezes levam meses para chegar até nós e mais algum tempo para serem utilizados em nossas receitas. O ideal é fazer a torra pelo menos uma semana antes do uso, pois alguns aromas indesejáveis serão dissipados e não prejudicarão sua cerveja.

Terceiro, pela sua característica ímpar intrínseca, pois você poderá criar torras personalizadas e ter receitas com o “seu malte” o que de longe é uma grande razão e um ótimo diferencial para nós, cervejeiros.

E por fim, quarto, você não terá mais que ficar pensando em que maltes utilizar para substituir na sua receita aqueles que as lojinhas não tem para te atender e nem precisará manter um estoque de muitas variedades de malte em casa.

Mas não quer dizer que sejam somente essas as vantagens, são essas as quais julgo principais e que me lembro no momento.

Como torrar seu próprio malte em casa? Não é difícil, mas um pouco de trabalho será inevitável. Você precisará de:

01 Forno que atinja pelo menos 250°C e seja preferencialmente de um foção de seis boca, pois permitirá que você faça mais malte de uma só vez, mas o forno de um fogão de quatro bocas também pode ser utilizado. Se o forno tiver um soprador, como alguns fornos elétricos, melhor.

02 assadeiras grandes de alumínio ou de aço inoxidável (melhor opção) com pelo menos 3,0 cm de profundidade. Se tiver uma só, tudo bem, idem item acima.

01 termômetro de 0-200°C que seja possível manter no interior do forno.

01 espátula para mexer o malte.

01 tábua de plástico branca mais ou menos do tamanho de uma folha de papel A4 ou mesmo uma superfície de papelão rígido branca.

01 lanterna ou luminária portátil com uma lâmpada branca (luz do dia).

Eu utilizo uma bola de torrar café, ao invés da assadeira, porém esse procedimento exige que você não pare de girar a bola e que utilize a boca do fogão ao invés do forno. Há outro ponto que pode ser problemático para o iniciante, ao utilizar o torrador manual de café você perde o recurso da temperatura que o forno já possui, portanto é necessário adaptar um termômetro no torrador, o que não é muito fácil.

Torrador de café “bola”
 
Você pode torrar seu malte de duas formas, uma mais rápida e outra mais lenta, explicarei as duas a seguir para que você possa escolher a forma que mais lhe agrada.

1.      Torrefação rápida
- Encha a assadeira com malte pilsen;
- Coloque na parte mais alta do forno pré aquecido a 95-100°C;
- Agite os grãos remexendo-os a cada 5-10 minutos por 45 minutos;
- Eleve a temperatura do forno para 150°C;
- Misture o malte e verifique a coloraçãor.
 
Como verificar a cor?

Você tem duas formas de verificar, utilizar um equipamento caro para análise ou criar um gabarito de cores com alguns grâos que você já adquiriu de uma maltaria comercial.

Para criar o gabarito, utilize a tábua branca ou o papel cartão e cole com fita transparente amostras dos maltes que você deseja produzir. Coloque graos inteiros e pelo menos um grâo cortado ao meio para que você possa ver seu interior. Durante a torra vá comparando seu malte com as amostras coladas no gabarito e decida o momento correto de terminar a torrefação quando atingir o ponto do malte desejado. O método é pouco exato, mas muito barato e de fácil obtenção.

Continuando o processo:

- Confira a coloração pelo menos uma vez a cada 20 minutos até atingir a cor desejada.
- Retire do forno, deixe esfriar em local arejado, mas coberto com um pano seco.
- Guarde em recipientes hermeticamente fechados. Pode ser um Tuppeware mesmo.


2.      Torrefação lenta

- Encha a assadeira com malte pilsen;
- Coloque na parte mais alta do forno pré aquecido a 95-100°C;
- Agite os grãos remexendo-os a cada 5-10 minutos por duas horas.
- Eleve a temperatura do forno a 110°C e mantenha durante uma hora;
- Misture e verifique a coloração.
- Eleve novamente a temperatura do forno agora para 140°C e insira o termometro no centro do malte.
- A coloração de um Pale Ale é normalmente atingida quando a temperatura do grão é da ordem de 120°C – 125°C.

Nos procedimentos acima você pode dar o ponto que deseja em seu malte e depois fazer os testes com suas receitas para averiguar se o malte personalizado por você atingiu o objetivo esperado, depois terá a oportunidade de repetir sua receita de torra ou ir ajustando o ponto até que sua cerveja esteja perfeitamente aderente à suas expectativas.

Mas Breda, não há uma receitinha de maltes já mastigada pra ajudar a gente a não ficar testando a esmo?

Sim, mas não tive tempo ainda de verificar se todas funcionam a contento, porém, feito o alerta de que não repeti todas para assinar embaixo, seguem os processos para que vocês façam seus próprios testes. Apontarei os que já testei para que tenham mais tranquilidade em repeti-los nas suas cervejarias.

 
Processos pré definidos

A.    Malte claro (dourado) - Maltado e levemente caramelado, porém sem notas de tostado. Malte pilsen a 180°C por 25 minutos.

B.     Malte ambar – Com notas de nozes, maltado e um tostado leve. Malte pilsen a 200°C por 35 minutos. (Testado OK)

C.     Malte cobreado – Com forte sabor de torrado com notas amendoadas. Malte pilsen a 240°C por 30 minutos.

D.    Maltes brown – Com sabor torrado característico. Malte pilsen a 250°C por 50 minutos.

E.     Maltes chocolate – Usar o procedimento 2 acima e ir dosando o tempo de acordo com o grau de chocolate que você desejar. O importante aqui é mexer constantemente os grãos para que não formem pelotes e acabem queimando ao invés de torrar, o que estragaria toda sua fornada.(Testado OK)

F.      Malte cristal ou caramelo – Nestes casos o ideal é utilizar malte Pale Ale, porém, como no Brasil o Pale Ale não é tratado como malte base (eu me refiro a isso em termos de custo), vamos utilizar o malte pilsen mesmo, entretanto que fique claro que haverá diferenças nos resultados.
    
Você deve colocar a quantidade de malte que deseja torrar na assadeira e cobrir com água. Utilize somente o suficiente para cobrir o malte e deixar uma camada de no máximo 1cm de água acima dos grãos, nada mais. Lembre-se de utilizar água cervejeira, ou seja, pelo menos filtrada e sem cloro “pelamordedeus”. Deixe de molho por pelo menos duas horas, mas o ideal é que quase toda a água (ou toda) tenha sido absorvida, porém não exceda 24 horas de molho. Em geral 4 horas são suficientes para a absorção. Coloque os graos na assadeira e procure deixar uma camada alta de no máximo 5cm (observe que pedimos no início uma assadeira de 3cm de profundidade. Para estes maltes caramelados o ideal é que a assadeira seja mais funda, porém você pode utilizar a de 3cm também, atente somente para o ponto de torra que pode passar).
 
Coloque no forno pré aquecido a 115°C e mantenha estável por 90 minutos. Extremamente importante que a temperatura do forno seja confiável e imprescindível que a temperatura nos grãos não ultrapasse 105°C. Depois disso, espalhe os grãos em duas assadeiras deixando camadas de no máximo 2,5cm. Eleve a temperatura para 160°C e deixe por mais duas horas até que seque totalmente. (Testado OK)

Nesse momento você terá o famoso malte Crystal nas mãos. Se desejar armazene o malte neste ponto, porém você poderá utilizar as diretrizes acima (itens A a E) para fazer maltes caramelados no ponto que desejar.

Na próxima postagem ensinaei a fazer o famoso CARAAROMA e o acidificado.

Enviem seus resultados para postarmos no Blog. Mande fotos e descritivos de seus testes para mhbreda@hotmail.com

Fiquem em Paz.

Forte abraço.

Saúde!!!

Breda

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Juiz Certificado BJCP

Olá amigos.

Depois de um longo período aguardando por notícias do BJCP - Beer Judge Certification Program, recebi neste final de semana meu certificado de Beer Judge.
 

 
Foi uma conquista muito importante para mim e gratificante , pois hoje faço parte de um pequeno grupo de certificados no estado de São Paulo (e no Brasil).
 
A partir de agora poderei colaborar com as ACervAs em concursos e levar mais confiabilidade aos eventos, juntamente com os demais certificados. Gostaria de compartilhar aqui com vocês minha alegria e satisfação em fazer parte desse grupo.
 
Parabéns também aos meus colegas cervejeiros que fizeram a prova em Campinas no final do ano passado e que também foram aprovados no certame.

Para quem tiver interesse em se certificar, segue a página de informações: http://www.bjcp.org/examcenter.php . Procure também a ACerva do seu estado e se informe sobre cursos e próximas datas de exame.
 
Forte abraço a todos.
 
Saúde!!!
 
Breda

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Válvula Extratora B&R® - Versatilidade para PET

Caros amigos, volto a este assunto que chama muito a atenção dos homebrewers brasileiros que é a reutilização de recipientes para transportar e consumir cerveja, porém a baixíssimo custo e o que é mais importante, com reusabilidade total.

Hoje fiz algo que me surpreendeu, um post meio encomendado, mas sem custos é claro, explico, fui chamado no Facebook por um leitor assíduo e segundo ele próprio, fã do Breja do Breda, meu camarada André Inácio, que me pediu pra ajudar o pessoal da lista da ACervA que está numa discussão ferrenha sobre o assunto e não fizeram um dispositivo nacional para a questão, o pessoal as vezes se esquece de que não é qualquer um que pode comprar coisas de fora, mas tudo bem, é pra isso que estou por aqui, pra ajudar.

Válvula Extratora B&R® - Versatilidade para PET

Prontamente me coloquei a disposição e fui para a oficina ver se uma simples adaptação da minha válvula extratora para minikeg poderia suprir essa necessidade, entre ter a idéia, montar o material e adaptar o sistema para PET foram 24 minutos, esse foi o fato que mais me surpreendeu, se você tiver uma Válvula Extratora B&R® montada em sua casa você já possui um equipamento de extração de cerveja para garrafas PET num estalar de dedos.

Como tudo que é bom deve procurar ser simples também, parti do princípio de não utilizar muitas peças além do que já temos na extratora e o resultado foi muito bom, você precisará somente de:

Material
01 Válvula Extratora B&R® (veja aqui como);
15cm de mangueira cristal de 1/4";
01 Tampa de garrafa PET padrão (qualquer uma serve); e
01 Rolha de borracha número 7.

Ferramentas
01 Furadeira doméstica;
01 Broca de 10mm.

Vamos à montagem:

1. Fure a rolha bem no centro com a broca de 10mm cuidando para manter a direção do furo até o outro lado da rolha;
2. Fure a tampa de PET com a mesma Broca. Procure furar no centro;
3. Insira a tampa no bico de mangueira da Válvula Extratora B&R®;
4. Insira a rolha de borracha furada no bico de mangueira da Válvula Extratora B&R® e a pressione o máximo que puder dentro da tampa de PET fazendo com que ela prenda firmemente a tampa ao topo do bico da válvula. Essa pressão é a coisa mais importante, pois ela vedará a garrafa para que não se perca pressão;
5. coloque a mangueira de 1/4" conectada na mangueira na ponta do tubo de cobre da extratora para prolongar o tubo sifão até o fundo da PET;
6. Rosqueie a o sistema tampa-rolha-válvula na sua PET com cerveja já carbonatada.

A pedidos, detalho aqui a sequência da montagem da tampa-rolha:

1. Rolha de borracha número 7 e tampa de garrafa PET:

 2. (Rolha e tampa após passos 1 e 2 da montagem):


3. Sequência da montagem no bico da extratora:



Pronto, você tem agora um dispositivo para extração de chopp a partir de uma garrafa PET. Garanto que não há comparação entre uma cerveja retirada da PET simplesmente abrindo a tempa e servindo e a mesma cerveja retirada com a Válvula Extratora B&R®, pois a espuma que você obtém com a extratora é praticamente um creme como os melhores tiradores de chopp conseguem.

Observe abaixo a Válvula Extratora B&R® em ação:
 
Válvula Extratora B&R® em ação com uma PET

Válvula Extratora B&R®, a versatilidade a serviço do homebrewer brasileiro. Depois que publico sempre aparece algum similar...porque não veio antes?? rsrsrs Sei que um cara criativo incomoda muita gente, mas pode ter certeza de que ajuda muitas mais; Breja do Breda, como sempre, ajudando realmente a cultura da cerveja caseira no Brasil e sem enlatados.

Agradecimentos mais uma vez ao meu sobrinho Lucas, o câmera man, mas nos desculpem pela qualidade da imagem, celular é celular...(simples viu, não é um iPhone nem um super celular com câmeras de última geração), "fazemos o que podemos", o que vale é o conteúdo.

"Prestigiem a criatividade e a pequena indústria nacionais"

Boas cervejas a todos.

Forte abraço.

Saúde!!!

Breda

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros

Agora sim vocês poderão ver como o sistema da Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros funciona em dois filmes que fiz com meu celular e com a ajuda do meu sobrinho Lucas, o cinegrafista amador.

Ambos mostram a extração da cerveja utilizando uma bomba manual para pressionar a bebida e retirá-la do KEG, observe porém que a cerveja já foi carbonatada e a bomba se presta somente à extração da bebida.

Esta é mais uma inovação do Breja do Breda para possibilitar ao cervejeiro caseiro uma alternativa de baixo custo, pois cilindros de CO2 são caros e mini balas de CO2 não são recarregáveis, portanto aqui a criatividade se une a necessidade e vai ao encontro do nosso movimento de alavancar a cerveja caseira dando acesso gratuito à informação e alternativas baratas de equipamentos aos seus praticantes.

Isso vocês só encontram aqui no Breja do Breda.

Pilsen by Breda retirada do KEG com a extratora B&R®

Pilsen by Breda retirada do KEG com a extratora B&R®


Não importa se você está injetando oxigênio dentro do miniKeg se você consumirá a cerveja toda no evento em que levou seu barrilete, porém se você não tem certeza de que consumirá os 05 litros do barrilzinho prefira utilizar CO2 para não perder sua cerveja, entretanto você pode forçar uma pressão adicional antes de sair de casa caso julgue que não o consumirá totalmente, assim não necessitará levar o cilindro.

Minha sugestão é sempre ter a bombinha à mão, pois não é difícil consumir os 05 litros do barrilete e assim você garante que não faltará pressão de extração na sua festa.

Espero que gostem, apesar da imagem de baixa qualidade.

Forte abraço, fiquem com Deus.

Saúde!!!

Breda

Os vídeos estão também no youtube nos links abaixo:


Vídeo 2: http://www.youtube.com/watch?v=D9D6VUKJUOk

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Cerveja no Barril 6

Como eu havia prometido fecharei finalmente o tratado sobre barris de cerveja com uma postagem muito interessante que mostrará a vocês como reutilizar seu KEG de cinco litros, isso mesmo, aquele barrilete legal que você adorou quando comprou mas que acabou rapidinho e que infelizmente você não consegue reutilizar ou porque acha que não tem como sanitizar, ou não sabe como botar cerveja lá dentro novamente, ou não tem como carbonatar a cerveja que colocou lá, ou a cerveja que você colocou nele contaminou entre outras razões. Também pode ser pelo fato de que você não está afim de comprar kits importados que precisam de uma parafernália de cilindrinhos, braçadeiras e presilhas.

Independentemente de qual seja a razão: "Seus problemas acabaram!"

Claro que é brincadeira. Nada é tão fácil assim, sempre há algo a ser feito, mas o mais importante é saber como e por onde começar, por isso vamos ao trabalho.

Como de costume vou logo avisando, se você não quer ter trabalho pare sua leitura aqui mesmo, vá ao supermercado mais próximo onde possa encontrar um barrilete de cerveja comercial, compre quantos desejar (ou puder) e divirta-se, pois para poder usufruir de sua própria cerveja em um KEG de 5 litros (em méida custa R$ 40,00, você bebe a cerveja comercial dele uma vez e depois usa por bastante tempo) terá que trabalhar um pouquinho, mas você verá que levar um barril de cinco litros de IPA em uma festa e ainda tirar onda de que foi você quem fez aquela maravilha de cerveja que está jorrando do KEG não tem preço.

Ensinarei aqui como reaproveitar o KEG e a carbonatar a cerveja de 03 formas diferentes.

Pontos? Então mãos à obra:

Você precisará de:

Peças
Na ordem da esquerda para a direita e de cima para baixo:
02 metros de mangueira cristal de 1/4" atóxica
01 Barrilete de cinco litros vazio e despressurizado (***)
30 cm de tubo de cobre de 3/8"
08 cm mangueira cristal de 3/8"
01 cotovelo 90 com rosca interna em uma extremidade e externa na outra
01 bico de mangueira de 1/4"
01 prensa tubos de 3/8"
01 bico de mangueira de 5/16"
01 "T" de 3/8"
01 Rolha de borracha especial para KEG de 05 litros (peça a sua aqui pelo Blog)
01 torneirinha picknic

(***) Coloco aqui o barrilete de Heineken, pois explicarei como retirar a alça verde e a abrir a válvula superior para remover seu sifão. Entretanto, o barrilete de Heineken é o pior modelo para reuso por várias razões, as quais explicarei mais à frente.

Optei por peças de latão e pelo tubo de cobre pois são mais fáceis de encontrar, mas vocês podem escolher outro material como o inox ou até plástico. Tome somente o cuidado de utilizar somente peças de plástico alimentício.

Os oito centímetros de mangueira cristal de 3/8" são opcionais, porém facilitam o ajuste fino nos diferentes tipos de barrilete. Caso você decida näo utilizar esse componente lembre somente de aumentar o tubo de cobre em 08 cm para que não fique curto demais e o impeça de extrair toda cerveja de dentro do barrilete.

Ferramentas e Material
01 Alicate universal
02 Chaves de fenda grandes
01 Chave inglesa
01 Rolinho de veda roscas

Só isso Breda???? Tem certeza????

Pois é, só isso, tenho certeza sim! Salvo uma pequena exceção que vocês verão mais à frente.










Aqui farei um parênteses para explicar o porque julgo o barrilete de Heineken o pior para ser reutilizado, embora alguns possam achar que isso seja óbvio, não é, logicamente o que é fácil de ser percebido é que esse barrilete possui um cilindro de CO2 (ou bala para alguns) em seu interior e que para ser retirado demanda a inutilização do barrilete, pelo menos em se tratando de reuso para cerveja, e que se mantido lá dentro gera um ponto de contaminação absurdo para nós que não filtramos nossa bebida.

O que muita gente não sabe é que o orifício superior desse barrilete é "fora de padrão", ou seja, é diferente de todos os outros, além de maior tem a alma virada para fora, o que dificulta, e muito, sua pressurização, contudo não é impossível reutilizá-lo, OK, só lhe dará mais trabalho e aumentará seu risco de contaminação.

Caso você opte por um barrilete Heineken

Retiraremos a alça verde do barrilete. Nesse momento será necessário que seja retirada, porém se você desejar pode recolocar a alça posteriormente, eu prefiro sem.

Passe uma chave de fendas por cima e por dentro da alça abrindo uma fresta, depois insira a outra chave por baixo, assim você poderá fazer uma alavanca para remover sem esforço a alça, qualquer pessoa consegue, não precisa ser forte para isso.

Force a chave que está em cima para baixo e a que está em baixo para cima como se fossem uma única barra, apoie ambas no suporte da válvula da alça (aquela parte arredondada por onde passa o extrator da Heineken que vem com o barrilete).


Pronto, sem esforço, sem stress e o melhor, quase sem danificar a alça, "quase", pois ficam uma marquinhas mais claras ao forçar o plástico, porém sem nenhum dano funcional. Você poderá utilizá-la novamente sem problemas.

Agora vamos retirar o sifão, mas antes se certifique de que o barril está despressurizado, caso contrário você poderá se ferir gravemente. Utilize a válvula extratora própria para esvaziar o barrilete antes de começar a remoção do sifão.


Após certificar-se de que não há pressão no barrilete, com uma chave de fendas apoiada em sua lateral insira a ponta o mais fundo que puder sob a emenda da válvula de alumínio e vá girando 90 graus a chave. Isso fará pequenos rasgos na válvula como se fosse um abridor de latas. Tenha cuidado para não ferir o barrilete, destrua somente a válvula de alumínio.


Faça isso por toda a volta deixando a válvula completamente desconectada do barrilete.
ATENÇÃO: embora esteja desconectada ela ainda não estará solta.



Depois de virar a válvula toda para cima como na figura anterior, utilize o alicate para puxá-la para fora. Nesse momento será necessário um pouco mais de força, nada demais, fique tranquilo, um ou dois puxões e ela estará fora.



Observe que o orifício do barril está intacto sem nenhum amassado. Isso é muito importante, pois esse barril já é bem difícil de ser reutilizado adequadamente, isto é, sem durepóxi, sem aralditr ou válvulas inadequadas; e se você danificar essa borda será muito difícil vedar o barrilete para pressurizá-lo posteriormente, o que, diga-se de passagem, já é difícil mesmo sem danificá-lo.

Certo, até aqui estamos somente abrindo o barrilete da Heineken.


Caso você opte por outro barrilete

Se você escolheu outro modelo, por exemplo da Warsteiner, da Itaipava, da Petra, da Paulaner ou outro qualquer que não seja pressurizado, basta remover aquela tampa de borracha preta (ou de outra cor) que fica no centro na parte superior do barrilete. Como fazer? Simples.

Com as duas chaves de fenda faça o mesmo que orientei acima a fazer com a de alumínio, porém vá com ambas as chaves para não permitir que a tampa retorne à posição normal quando você for deslocar a alavanca, vá girando com uma e segurando com a outra até soltar a volta toda, é bem fácil também.

Melhor ainda, se você resolveu comprar um barrilete vazio por aí, MEUS PARABÉNS! Essa é minha sugestão de melhor escolha e mínimo esforço.

Vamos à montagem e no final explicarei novamente como utilizar todo o aparato com o da Heineken, mas tenho quase certeza de que vocês farão luminárias com os verdinhos depois disso.

No meu caso utilizei um barrilete sem cilindro interno e o pintei para que fique com a minha identidade visual. Vocês podem fazer o mesmo, pois não fica nada legal você aparecer numa festa carregando um barrilete de Crystal ou de Paulaner dizendo que é a sua cerveja, certo???? O meu ficou assim:

Barrilete do Breda®

Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros
Montaremos agora as peças para construir uma válvula extratora para o nosso KEG de 05 litros. Antes há um pequeno macete. Dificilmente você encontrará uma conexão de mangueira de 3/8" com diâmetro interno que possibilite a passagem do tubo livremente, caso encontre ótimo, eu encontrei, caso não encontre use uma furadeira e uma broca para abrir o furo dessa peça de forma que o tubo possa ser passado por dentro dela. Como é uma exceção, furadeira e broca não fazem parte da lista de materiais. Pegue todas as peças de latão e coloque nas roscas externas o famigerado veda roscas dando pelo menos umas dez voltas em cada peça.
ATENÇÃO:  PRENSA TUBOS NÃO PRECISA DE VEDA ROSCAS.

Feito isso você deve montar as peças no tubo de cobre na ordem correta para não precisar desmontar o tempo todo, pois caso precise desmontar alguma peça terá que refazer o veda roscas dela para evitar vazamentos.


Aperte bem as peças rosqueando ao máximo para que não haja vazamentos. Utilize a chave inglesa e o alicate para esta tarefa (se tiver uma morsa em casa, melhor ainda). Depois de montada sua Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros ficará assim:



Agora basta conectar a mangueira e a torneirinha picknic e pronto, não necessita nem de braçadeiras.

Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros

Já temos a extratora pronta e o barril, mas como faço para colocar minha cerveja lá dentro Breda?

Vamos ao processo de enchimento e carbonatação da cerveja no seu novo equipamento para transporte e consumo. Como disse no capítulo anterior - no final da postagem Cerveja no Barril 5  a partir de hoje "A forma como você leva sua cerveja em festas e eventos por aí ou mesmo como a armazena em sua casa nunca mais será a mesma".

Você deverá:
1. Sanitizar o Barrilete com seu sanitizante preferido.
Como de costume sugiro a utilização de ácido peracético, pois não ataca o verniz de proteção do barril. Não sei informar se os demais produtos utilizados para sanitização são agressivos ao verniz, portanto façam seus testes e compartilhem conosco suas experiências e resultados enviando e-mail ou postando seus comentários aqui no Blog.

2. Encher seu Barrilete com cerveja.
Aqui darei três alternativas começando pela mais simples:

a. Fazer Priming
Como o barril tem capacidade para cinco litros de cerveja tenha o cuidado de não ultrapassar esse limite, pois você poderá ter problemas de pressão, já que o material do recipiente é muito fino, tem uma costura lateral, tem tampa e fundo colados e não suportará pressões acima das indicadas para um KEG, por isso capriche no volume e utilize a calculadora para fazer um priming adequado e não estragar todo seu esforço por uma falta de atenção aos detalhes.

Além disso, há uma válvula própria para barrilete com aliviador de pressão que pode ser adquirida aqui pelo Blog, contudo já adianto que o valor é alto, o controle não é preciso e o poduto é importado o que significa que seu prazo de entrega é longo.

Coloque a cerveja no barrilete deixando um espaço de 20% como headspace (obrigatório), despeje o priming calculado, feche o barrilete com a rolha de borracha apropriada e proceda como nas garrafas; deixe o barrilzinho por 10 dias à temperatura de fermentação de sua cerveja (ou à temperatura ambiente se você não tiver termostato para controle na sua geladeira/freezer), verifique a carbonatação a partir do sétimo dia e, estando ao seu gosto, gele o barril.  

b. Carbonatação Forçada
Uma alternativa muito simples, principalmente se você já tem o hábito de carbonatar suas cervejas em Barris ou postmix. A única diferença aqui é que não temos um sistema de pressurização sofisticado como o de uma extratora KEG, mas o bacana é que o negócio é tão simples que chega a ser cômico. Tudo bem, vão dizer que não é adequado porque o CO2 pode estourar o barrilete, que esse recipiente não deve ser reutilizado, que blá blá blá blá blá, mais uma vez, se fosse fácil esses "gênios" já teriam feito algo e estariam se gabando por aí, por isso experimente e se você achar que não ficou legal, não faça mais, temos outras duas formas de carbonatação pra você escolher. MAS CUIDADO!!!! Na dúvida não ultrapasse o limite dos 70% do máximo indicado no barrilete.

ATENÇÃO: Cuidado com a pressão que irá colocar no manômetro do seu cilindro de CO2 e que estará inserindo no KEG, pois como dito anteriormente esse recipiente tem paredes finas e uma solda lateral, por isso se você exagerar na pressão pode abrir seu barril lateralmente e estragar tudo, isso se não se machucar ou machucar alguém que esteja por perto, portanto, se não sabe utilizar equipamento de CO2 prefira o procedimento a. Fazer Priming e observe atentamente os cuidados expostos naquele item.

Lembrando que você deverá efetuar quatro injeções de CO2 de 05 minutos por dia por quatro dias. Isso será suficiente para que sua cerveja esteja adequadamente carbonatada sem nenhuma necessidade de chacoalhar o barrilete. Se quiser chacoalhar, OK, mas nunca diga que foi recomendação minha. Caso não consiga fazer as 4 injeções por dia use a referência de 16 injeções, sempre na pressão recomendada para o estilo e que não ultrapasse o limite admitido para o barrilete. Utilize a calculadora de carbonatação para saber qual a pressão ideal a ser utilizada.
c. Enchendo com Contra pressão

Logicamente essa é minha sugestão de melhor escolha, pois realmente é a melhor escolha. Outra vez muito simples, somente atente para que aqui você precisará do sistema de enchimento completo. Para quem já possui e utiliza o Enchedor B&R "GreenFiller"® nenhuma novidade, para os que ainda não conhecem descreverei o procedimento.

Você colocará sua cerveja no Barril KEG (não o de 05 litros é lógico) ou Postmix e fará a carbonatação normalmente como já explicado nos capítulos anteriores (Ver postagens Cerveja no Barril 1 a 5 aqui mesmo no Breja do Breda).

Assim que sua cerveja estiver pronta para ser envasada você montará seu sistema de enchimento fazendo a substituição do filler (cânula de inox+rolha_válvula)  colocando a adaptação adequada para o diâmetro da entrada do barrilete –  Essa é mais uma das vantagens do Enchedor B&R "GreenFiller"® o único enchedor do mercado com o qual você pode encher garrafas de todos os tamanhos, Groulers e agora Barriletes somente mudando uma peça – e em seguida procederá o enchimento normalmente como nas garrafas. Após completar os 5 litros do KEG coloque a Tampa de borracha apropriada para MiniKEG. Observe que neste caso não há a necessidade de headspace, você pode encher totalmente seu barrilete!!! :)

Eu particularmente prefiro essa opção, pois além de tudo seu barrilete já está gelado e carbonatado, prontinho para ir à festa e ser degustado por todos.

E como funciona essa Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros Breda? Simples!

Conecte o cilindro de CO2 ao sistema através da entrada de 1/4" da extratoa. É importante conectar o CO2 antes, pois essa válvula não possui bloqueio de retorno, logo se você não conectar a mangueira de CO2 pode haver vazamento. Cloque a válvula no barrilete e somente depois abra o fluxo de CO2.

Caso você tenha pressão suficiente no barrilete não precisará sequer abrir o cilindro e poderá inclusive tapar a entrada de 1/4" com um pedaço de mangueira (como se fosse a tampa de uma caneta Bic).

Seu sistema ficará assim:

Então basta servir sua cerveja preferida da forma que você desejar, com mais ou menos espuma.

  

German Pils by Breda
Servida do MiniKeg com a Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros 

"ASSISTA OS VÍDEOS CLICANDO AQUI"

Com essa postagem coloco mais um marco na história da cerveja caseira brasileira, pois até hoje não só não havia um sistema simples para reaproveitarmos adequadamente os KEGs de cinco litros como nada se encontrava em português e voltado às nossas necessidades e práticas, além disso os gringos deixam o cilindro de CO2 dentro do MiniKEG e utilizam durepoxi, araldite etc., embora alguns tenham um sistema parecido, utilizam mais peças e coisas que não encontramos facilmente por aqui.

Adaptação feita e novo produto criado, como sempre o passo a passo está aí, quem quiser pode fazer o seu e quem preferir pode enviar sua encomenda para mhbreda@hotmail.com

Me desculpem pelas fotos, sabem como é celular é celular, nunca chegará a máquina fotogáfica, além disso, servir cerveja e tirar foto ao mesmo tempo é bem complicado, não arranjei um "cristão" pra me ajudar, por isso neste momento não postei um filme do sistema em operação, em alguns dias prometo que o filme estará aqui para que todos possam ver a Válvula Extratora B&R em funcinamento.
Prestigiem e divulguem as informações que disponibilizo aqui no Blog gratuitamente!
Incentivem e valorizem a produção nacional!
Apoiem e apreciem a cerveja caseira e artesanal do Brasil!
Fiquem todos em Paz.

Boas cervejas e lembrem-se que se de hoje em diante encontrar um barrilete com essa válvula em uma festa é sinônimo de cerveja caseira na área e de Breja do Breda na cabeça. 


Saúde!!!

Breda




Ahhhh.... você chegou até aqui, parabéns! Não, eu não esqueci de falar sobre o barrilete de Heineken, somente os perseverantes insistirão em utilizá-lo, mas vamos lá.

Como você pôde observar, há uma borracha de vedação para utilização do sistema, essa peça é fundamental e sem ela ficará complicadíssimo pressurizar os barriletes. Porém, o orifício do minikeg da Heineken é maior que o dos outros, por isso você terá que fazer sua tampa caseira utilizando uma rolha de borracha número 10. Contudo, se não for muito bem feita haverá vazamentos e você não atingirá seu objetivo já que quando se trata de gás qualquer micro furo vaza.

Bom, o perfil da tampa é este:


Ela tem um orifício central de 1/4" por onde passa o tubo sifão e uma contra tampa de pressão para que você possa manter o barril cheio e pressurizado sem a necessidade de estar sempre com o tubo sifão atachado. Portanto, você terá que produzir isso tudo em casa, difícil e trabalhoso, mas não é impossível.
Preparando a tampa de borracha adequadamente basta utilizar o passo a passo e montar a Válvula Extratora B&R® para KEG de 05 litros, pois o restante do sistema funcionará da mesma forma.

Se até aqui você não desistiu do barrilete de Heineken, Boa sorte!

Saúde!!!

Breda